quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Agonia

Preciso estar morta
     Antes que nasça o sol
            enquanto ainda é madrugada
              e algumas vezes
                      depois de cada dia
Doentiamente preciso
   que minha alma
                 se canse
                      se parta
                           Em milhões de
MiCrosCóPiCas partes
  Sem consciência
 Preciso não rimar O amor
Nem cantar Lamentos
Preciso viver de olhos fechados
Para não ver  pessoas
Jogando seus dados viciados
Preciso parar de equilibrar
Na ponta de dedos
Doloridos
Essa vida frágil e decadente
Talvez, se pudesse
Não lamber feridas
Pra lua ,não uivar
Pro sol, não gemer
E nos bolsos,
Poemas, não trazer
Mas trago esta mania doente
 De nutrir furacões na alma
Por medo
E pela poesia infame
 que me assola
Por amores,
 rancores,
pavores
do agora
 Pela agonia,
nostalgia,
 melancolia
de outrora
   Pelo vazio de tudo
     Pela essência do nada
            É que preciso morrer
   Antes que termine
A madrugada

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