quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Ao poeta Rodrigues de Abreu

Não fiz
Não faço
Nem farei
Versos de amor
Em minha fala
Não haverá
Anjos obesos
De fralda
Atirando flechas a esmo
Cada vez mais
Consumida
Pelas chagas da poesia
Vou lançar meus versos
À lápide de um poeta morto
Quem sabe sua figura moribunda
Amorteça a minha dor?
Escrava do sentir
Serva das palavras Mal ditas
Malditas
Poderia sentar-me e
lançar migalhas aos pombos
o dia todo
a vida toda
No entanto, curvo-me sob a escuridão
E rasgando pedaços da alma
Atiro-me aos corvos

Nenhum comentário: