quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Irresponsavelmente

O que sabe quem não abraçou a morte?
Do que entende, quem não carregou a vida no próprio ventre?
Não sei dizer dos outros
Não sei explicar o que sentem
Quando falo
digo de mim, de mim apenas
...De todos meus erros
...De todas as minhas contradições
...Das imensas dúvidas
que trago embutidas
 em cada sorriso
em rios de lágrimas
Não consigo elaborar grandes prólogos sobre os outros:
- Sou eu gritando em meus versos
- Sou eu gargalhando sem rima
- Sou eu, irresponsavelmente eu
errando o número de sílabas poéticas
Entre tantas grades,
dentre tantas jaulas
a que me sujeito
permito-me esta liberdade
Não clamo nada além do direito de escrever,
escrever inutilmente
mesmo sem ser lida
Escrever e ler-me sozinha no escuro do quarto
enquanto mordo os pulsos
com os dentes frouxos de saudades
Clamo esta liberdade
não  compreendida
de buscar-me
em mim.

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