quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Maria eu...

Não sou esta senhora
que segura a caneta
que contem a respiração
que olha para todos os lados

Ela, a que você vê,
é minha casca.

Dela, nada tenho
De mim, ela nada possui.
Apenas lhe empresto
duas esmrealdas,
nada mais!

Sou a que os olhos não vêem.
Sou a poesia que ela pari
dolorosamente de seu ventre podre.

Eu não estou aqui quieta:
eu grito,
eu chuto.

Eu estou correndo de baixo da tempestade...

Não tenho medo e habito
esta imensidão paradisíaca
que criei sozinha:
 sem homens, deuses ou demônios

E, por ser meu universo,
nele não há pecados ou
condenações.
Não sou dona, ou serva de nada:
sou pura existência e
êxtase.

Ela sorri. Observa. Silencia.
Eu, vivo! 
O silêncio dela, é meu grito.
A calma dela, é meu êxtase.
A doçura dela, minha fúria.

E você a olha...
E você a toca...
E você a beija...

Mas,
não me vê
      não me possui,
            não me sabes.

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