quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Menininho...

Ilustração homenageia Aylan Kurdi, menino sírio que morreu em praia na Turquia (Foto: Reprodução/Facebook)
Chorei a noite inteira a lembrança da morte do menino Sírio.
Não me condenem ou julguem dizendo “ muitas crianças morreram sem ter sua consternação”, isso seria mentira por demais cruel.
Não há dia em que não me entristeça ao pensar em nossa “humanidade”.
A foto do garotinho  deitado a beira   do mar, como se estivesse correndo na praia, brincando com as ondas e caísse  na sono de repente fere fundo, fere porque risca nosso orgulho.           
Fomos a lua, mas ainda nossas crianças caem sem vida a nossa volta, como pequenos pássaros feridos por torpes motivos (vaidades, ganancias...)
Não, falsos profetas, não é o fim do Mundo. Desde o começo dos tempos crianças são nossas maiores vítimas. E isso mostra que além de maus, somos covardes. Abatemos os menores, os mais frágeis, os que não podem se defender. 
Exemplo disso é alimentarmos uma sociedade canibal e doente  com a desigualdade social a níveis gritantes e sermos favoráveis a medidas medíocres como a redução da maioridade penal.
“Sim, mas eles não são crianças. São monstros!”             
Ah, é? Eles vieram do Espaço Sideral? Foram criados lá?
Quem criou estes “monstros”, sociedade?
Fomos nós. Somos todos culpados!
...
Tive pesadelos com o menininho...
Eu o via meu filho e enormes demônios tentavam rouba-lo dos meus braços. Eu fugia, orava, o cobria... Mas eles eram ferozes, cruéis, sanguinários!
Acordei perdida, olhei meus filhos.... Meu caçula deve ter a mesma idade do garotinho na foto. Ele dormia numa cama simples, mas macia e cheia de coberta, com a barriguinha cheia e um teto sobre sua cabeça. Estava deitado quase na mesma posição que o corpo na praia.
Sei que algumas pessoas (cruéis) dirão: “você deveria agradecer a algum deus porque seu filho está bem. Olha como deus te ama”.
“Nossos deuses” (o de cada religião) devem estar extremamente decepcionados com Homens que usam este tipo de argumento para não terem que “arregaçar as mangas” e tomar medidas realmente efetivas contra este tipo de violência.
Cada criança que morre por conta de doença, fome ou guerra deveria – no mínimo- ser motivo de luto e vergonha para toda humanidade, pois estas mortes simbolizam o nosso total fracasso como sociedade.
  E eu ficava pensando... “Como será o nome daquele menininho?”
Hoje vi muitas crianças correndo, comendo, sorrindo. E não é porque elas têm “mais do que as outras” que eu me incomodo. Eu me incomodo por achar que todas as crianças deveriam ter o direito de viver uma infância plena, saudável e feliz.
O menininho sírio era um pardalzinho frágil e sem nome, mas a imensidão dos céus era dele. Fomos nós que lhe arrancamos as asinhas. Então ele caiu. Entre a terra e o
 mar, adormeceu.
“Agora eu sei
que os demônios
dos meus pesadelos
eram os Homens...
Dorme, menininho...
Dorme em paz!”

crédito da imagem: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/09/ilustracoes-homenageiam-menino-sirio-morto-em-praia-em-redes-sociais.html

Nenhum comentário: