quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

o portão

Em minha janela,
canta uma cotovia
fingindo ser ela
quem eu amei um dia
num reflexo fatal
no refluxo final
eu perdida.
Passos na casa vazia,
escuridão...
Eu atenta,
em vigília...
Ouço o vento batendo o portão
E pensamentos agitando-se nos galhos de árvores
que arranham as paredes perdidas entre tempo e espaço
Qual meu tempo?
Qual meu espaço?
A areia da ampulheta corre mais depressa que meus pés
e não consigo estancá-la com meus pequenos dedos
a areia corre, cobrindo meu corpo devasso de inquietação
e num violento sopro da natureza,
o portão se fecha pra nunca mais se abrir.

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