quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

tesão

Você me observa, mas não vê
a ave de plumagem escura
pousada sobre meu ombro esquerdo
bicando meus olhos
Você que julga e não sabe
dos tigres   trancados
por trás deste sorriso bobo
imensos, ferozes,
devorando minhas entranhas
Você me toca, mas
não sente a febre e
a doença que se espalha
em meu organismo
Em seu trono
Sob seu pedestal
julga-me severamente
desdenha-me,
classifica-me,
rotula-me
Rouba meus beijos
e fica excitado
sem perceber a podridão
da morte exalando
em meu hálito adocicado

Eu, deixo-me  ser
sua, dele, de quem quiser
Apenas não há mais
máscaras para o baile
calçados para os pés
anjos sobre nossas cabeças.
Vou deixar-me levar
como pluma em pleno vendaval
Cansei de resistir
de me fragmentar.
Quero delirar sozinha
e passar o dia metida
 em minha imundice.
Quero que meu fogo, me consuma

Enquanto você me olha,
mas não me vê...
Eu me masturbo
entro em êxtase
gemo, gozo.

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