segunda-feira, 4 de abril de 2016

Borboleta



O grafite desliza pré-históricamente sobre o a folha ainda nua.
A mão tortuosa  e hábil desenha símbolos seculares ditados pela mente.
Os olhos criticam secretamente a estética da forma.
Através da alquimia os símbolos se entrelaçam e se tornam pura substância.
Agora ideia, ideal e  até sentimentos,  são de alguma forma palpáveis.
O iniciado, em sua pálida essência, solve o pequeno saber ainda fervilhante.
Uma cultura ancestral transmitida através de uma língua morta para poucos iluminados.
As folhas agora transmutadas em rica simbologia e êxtase agonizam silenciosas em prateleiras empoeiradas .
Profana-se o sagrado, aniquila-se fatalmente a pedra filosofal e o Alquimista  suicida-se lentamente degustando o elixir da hipocrisia.

... enquanto a bibliotecária pede aos smartphones  presentes um minuto de silêncio em memória ao trágico momento.

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