sexta-feira, 6 de maio de 2016

A biblioteca




Dentro da biblioteca
Há mais do que uma biblioteca
Há livros, mas existe mais do que livros
Dentro da biblioteca
Existe vida
Pois nela sussurram-se pelo ar histórias
Escritas, faladas, pensadas
Dentro da biblioteca
Não há silencio
Algo grita
Algo procura
Algo é folheado
Algo é rabiscado
Um riso escapa
Uma lágrima sorrateira é enxugada
Passos furtivos vêm
Outros vão

Dentro da biblioteca
Existem muitos cheiros
Livros novos
Livros velhos
Chão encerado
Cheiro de gentes
O que mais existe dentro de uma biblioteca,
é gente
Há gente espalhada por todos os cantos,
mesmo quando ela esta vazia
São fantasmas
São lembranças
São os autores
E os personagens
Todos eles dançam
Assovia
E me sorriem

Dentro da biblioteca
Também há angustias
Prazos, pressa
E desabafos
Biblioteca é terapia

Dentro da biblioteca
 há espaço para o amor
Entre romances de  Machado e sagas do crepúsculo
Tantos beijos foram roubados
Há sempre  alguém que levanta  a cabeça
Durante a leitura
E encontra outra cabeça levantada
Os olhos se cruzam
Por breves instantes
E esse olhar é de compreensão
entre apaixonados
São olhares repletos de paixões

Dentro da biblioteca
Há mais do que uma biblioteca
Nela muitas histórias são contadas
Muitas histórias são vividas
A biblioteca
pulsa,
respira,
vive


quarta-feira, 4 de maio de 2016

Tulipas




Sou como os cabeça de tulipa e semeio  girassóis
Tenho pedras chacoalhando soltas dentro da mente
E, por isso, me  importuna o constante vibrar de sons
inaudíveis aos outros.
Quero me armar de um punhal
que transpasse corações sem ferir,
mas que os sangre e que, sangrando,
 não permita que parem de pulsar...
Quero cortar orelhas e rasgar sorrisos
Há alguma verdade no que berra a multidão?


Há alguma lógica exata no belo?
Há respostas?
Pois sou tão miserável que não tenho certezas
trago a roupa remendada de buscas maltrapilhas, de incógnitas
Uma indigente com a mente florescida, florescendo.
São muitos milagreiros jurando curas
Poucos são os milagres.
São tantos perfeccionistas ditando normas.
Poucos são os éticos.
Penso que não há soluções onde não existe problema.
Só ouço, assustada,  o choro e ranger de dentes 
dos hipócritas sobre púlpitos.
Em mim a agonia infinita de Prometeu
de ser devorada, de carregar a ferida aberta,
de ansiar pelo Fim, pela minha plena humanidade.
Não quero me curar.
Não quero ser perdoada.
Quero estar perdida em mim,
Buscar-me incessantemente.
Perder-me e reencontrar-me . Já Fênix.