segunda-feira, 20 de junho de 2016

A dama e o vagabundo



Ela, uma menina
Perdida na escuridão
Num corpo de mulher
Escrava da solidão

Escondia o forte desejo
De fugir de onde estava
Resolveu por fim a dor
Que tanto lhe atormentava

Correu ao beiral de uma ponte
Equilibrou-se em poesia
Seduzida pela morte
Ciente que se entregaria

Foi então que quis a sorte
Com o destino brincar
Ouviu seu nome clamarem
Desceu, buscou com o olhar

Era um vadio da vida
Um poeta na contramão
Ele a chamo de Lady
E a conduziu pela mão

Envolveu-a em seus braços
Abriu-lhe seu coração

Era um pobre vira-latas
Vivendo pelos baldios
Fazia poesia do lixo
Tomava banho nos rios

Então a menina mimada
Tratada a pão de ló
Fez amor na calçada
E entregou-se sem dó

O tesão que os unia
Eclodia em convulsão
Prazer, delírio, magia
Nunca se viu tal paixão

Foram horas de puro êxtase
daquele licor proibido
dormiram, então, em um beco
totalmente exauridos.

Quando abriu os olhos
A procura de sua dama
O vagabundo sentiu-se
Traído em sua trama

Estava de novo sozinho
Andando sem direção
Procurando a menina
Que tocará seu coração

Vagando sem eira nem beira
O poeta a ponte chegou
E uma ponte de tristeza
Sua alma perfurou

Percebeu que sua dama
Ao anjo da morte abraçou
Brincando de ser poeta
A poesia a matou.



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