domingo, 17 de julho de 2016

Vida seca




Bebi o cálice amargo da traição
Senti o veneno descer por minha garganta
Corroendo, assim, minhas entranhas,
Meus olhos se encheram de sangue
E gotas escorrem por minha face
Ouvi o som angustiante  de minha alma
Partindo-se ao meio
Enfiei a mão do lado esquerdo do peito
E arranquei meu coração machucado
Ele ainda batia e, embora com grande ferida, me sorria...
Reparei em meu pulso sem vida
E ao fundo de toda minha agonia
Ouvi uma música vazia
Falava de seca, guerra e ria de gente que morre
A loucura tomou conta da paisagem
Tudo ficou frio e tornou-se cinza
Tudo sem cor, tudo dor e horror
Mas eu ainda vivia
(Seca, amarga, fria)
Peguei uma lâmina
Afiei afiei afiei
Mas não a sujei
Deitei e cochilei

O sol nasceu indiferente
Trazendo um novo dia

Angel

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