segunda-feira, 18 de julho de 2016

Geladeira

Por quanto tempo ainda terei
Que abraçar teus braços gelados?
Por quantas vezes terei
Que me ver refletir em teus olhos cansado?
Estou longe do meu lugar
Não vejo lugar para mim
Não me encaixo a paisagem
Fico a observar tuas gravuras obscenas
Molduradas por inverdades
Todas estas mal traçadas linhas
De uma arte abstrada e
Sem sentido para mim
Não consigo compreender esta beleza
Ela não me traduz nada
Como uma grande conspiração
Como se fosse a festa errada
E isso que nasce de mim?
E isso que morre em mim?
Meus lábios se abrem. As palavras fluem. Mas se congelam no ar, caem, quebram-se
Então, instantaneamente se evaporam
Formando em torno de mim um
Mormaço angustiante do que sou
Ou do que pretendia ser...
Bebi o mesmo veneno tantas vezes
Que ele passou a correr em minhas veias
Tem que existir um lugar de paz
Tem que haver um paraiso de luz
Alguém precisa contar histórias de ninar
Preciso de um final feliz
Quantas ilusões se cravarão em mim?
Quantas verei morrer nos olhos de quem amo?
Não precisa mais mentir
Eu já sei
Em seu coração
Não há lugar para mim.

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