segunda-feira, 18 de julho de 2016

Gélida

Passei por dores. Muita gente passa.
Mas cada um  sente a sua maneira
A dor que lhe transpassa.
E se fica ou passa, isso é problema seu...
A ferida que fez-se em mim
Me anestesiou o coração.
Eu, tão cheia de vida, me
Perdi nessa contramão.
Estou como o gelo dos polos: 
Mutável, mas sempre frio...
Absurdamente fria!
Meus beijos carregam
O hálito gelado da madrugada
Quem tocaria em uma mão como a minha:
Pequena, trêmula, sem cor?
Fui resfriada viva. Nada sinto.
Tudo queima friamente dentro de mim
Nada me comove mais...
Minhas lágrimas doem empedradas nesta alma ártica.
E nada me aquece.

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