segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Paixão

Éramos dois silêncios
Insones na madrugada
Nossas vozes - a poesia apenas- mais nada
Faíscas de estrelas há muito extintas
Éramos cadáveres luminosos numa realidade distinta
O amor pela poesia guiou-nos na escuridão
Eu que nunca toquei suas mãos
Mas sinto-as pelo meu corpo
Eu que nunca vi seus olhos
Mas tremulo de os imaginar
Quero-me a liberdade de ser sua
Tanto e tão absurdamente entregue 
Que não faça sentido algum
Quero-lhe puro instinto; devassidão
Porque eu sempre estive perdida sem me perder
Porque eu sempre forcei- me o equilíbrio
Agora despencarei despretensiosamente no grande vazio sob meus pés
Deixarei-me cair confiante em seus braços
Me acaricie com seus dedos incêndios
Atice fogo a este corpo ensopado de você
Que ardamos em nossas chamas
Indecentes
Incandescentes 
Preciso que consuma-me à exaustão
E deixe-me ofegante recostar em seu peito ouvindo seu coração aos poucos se acalmar
Seremos então um só silêncio que respira.
A poesia umedecida pelo gozo transpirará suavemente pelos nossos poros
Ninguém saberá o depois..

Angel

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