terça-feira, 9 de agosto de 2016

Sobre meus 40 anos...




Caminho descalça sobre as águas calmas de um imenso oceano.
Meus pés translúcidos confundem-se a estas e, enquanto se movimentam causam pequenas ondulações ao meu redor.
Há quarenta anos iniciei esta jornada em busca do Sol que brilha no horizonte. Mas, por mais que eu avance, meu objetivo continua distante.
E, quando a luz do dia se vai, e um manto negro repleto de estrelas encobre os céus, pouso meu corpo/barco e deixo-me flutuar até adormecer coberta de poesia.
Todas as manhãs pássaros cantam para que eu desperte. E, todas as manhãs, mesmo cansada, eu recomeço.
Houve um tempo em que me cri imortal. Em que me pensei invencível. Que me sonhei iluminada. Houve um tempo em que tive fé... Porém muitas coisas que carreguei e vestia foram levadas pela correnteza. Despojei-me de certezas porque elas me tornavam pesada, me faziam afundar. Já as dúvidas me tornaram leve o bastante para que pudesse flutuar.
Hoje se trago algo no bolso são as ausências. Saudades de pessoas que se foram pela morte. Saudades de pessoas que se foram pela vida.
Às vezes nos sentimos distantes de tudo. Às vezes nos sentimos parte do Todo.
Tanto tempo sobre as águas me fizeram mar. Salgada, inconstante, cheia de tempestades, forte, voluptuosa... Indefinível, enfim.
Em todos estes anos a poesia tem sido minha fiel companheira, minha amante egoísta, minha confidente, meu aconchego.
Não consigo saber se magoei mais do que fiz sorrir. Não consigo saber se fiz mais bem que mal. Só me resta seguir em frente fazendo o melhor que posso. Assim são as águas, assim é meu destino: seguir; fluir incessantemente...
Meu peito respira gratidão por todas as companhias que tenho/tive. Todos parte do que sou agora e do que serei ainda um dia.



Nenhum comentário: