domingo, 11 de setembro de 2016

Cavaleiro Negro



Nem bem me viu, se despiu.
Negro como a noite esgueirou-se pela escuridão do quarto, quase invisível.
Chegou-se a mim enquanto meu corpo esparramava-se sobre os lençóis.
Quando tuas mãos me alcançaram, teus dedos feito cobra enrolaram-se a mim explorando cada vão...
Por alguns instantes perdi os sentidos e deixe-me flutuar nas águas quentes deste êxtase.
Tua boca me alcançou ávida por sangue. Teus dentes rasgaram famintos minha carne. Gritei de dor e prazer contorcendo-me freneticamente.
Tuas mãos agarraram o meu cabelo pela nuca e me empurraram ao teu membro onde saciei minha fome. Encheu-me a boca de ti enquanto Sodoma e Gomorra ardiam dentro de mim.
Bezerra faminta me entretinha quando com as duas mãos me puxou abruptamente até perto do teu rosto e beijou-me a boca com a ternura dos anjos.
Senti que poderia morrer naquele instante, pois estava com os pés no paraíso.
Mas tu,  insaciável virou-me o corpo num só gesto, fincando sua espada em meus quadris ajustados estrategicamente para o abate.
Gemi escandalosa, gritando mais a cada estocada furiosa. Tua ira não diminuiria...
No golpe final enquanto eu definhava em cansaço ouvi teu grito de vitória e vi tua queda.
Com o duelo acabado, nossos corpos, agora caídos lado a lado, respiravam com dificuldade.
 Alguma criatura mutante entre ódio e amor rastejava sobre nós, quase viva.

Angel

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