sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Moço triste.



Sei bem, moço triste,
o que se esconde
por trás desse seu
sorriso maroto

Das dores, garoto,
que trazes no peito
pelo desprezo, eu sei

Tua pele escura
estigma do preconceito
que desde o leito,
te marcou.

Sei do esforço sobre humano
na busca por teu espaço
e de todos os percalços.

Eu sei menino lindo,
que te fizeram pensar
que em ti
beleza não tinha lugar

Diminuíram-te, mas
ainda sorris este teu
belo sorriso. Sorri-dentes.

Escondeu-te atrás de livro
e pela poesia, tua dor gritou.
Grito de guerra.
Também não desconheço
tua voz.

Perdes-te te por vezes
na busca de teu prazer
Traindo tuas verdades
No leito do desamor

Por conta de mera vaidade
Traindo teus ideais
Sofreu, o meu vagabundo,
Band-ads não estancam
Hemorragias internas

Eu sei cavaleiro negro,
Eu percebo e pressinto,
Mas tua dor não posso sentir.

Ela é tua marca.
Bandeira hasteada
a cada batalha.
Cada um traz na alma
Suas histórias de guerra

Respeito-te, nobre poeta.
Pelas belezas que tens se saber
Pela leveza que leva em teus versos
Pelas feridas expostas na prosa  explicita.
Até pelas tuas artimanhas no amor.

Respeito-te por quem és.
Embora não possa ser em ti
digo-te: picha nos muros
tua liberdade poética!

* Nos becos estreitos destes submundos
a dama louca e seu doce vagabundo -
atrás das lixeiras do mundo
escondem-se para fazer amor e poesia





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