terça-feira, 1 de novembro de 2016

Musa




Ofereço a Caronte o óbulo
Enquanto em ti, poeta, 
Deito-me 
Completamente despida de preceitos.
Juntos, nos abraçamos
No fundo da grosseira embarcação.
Deito-me contigo, meu amado,
Como musa de tua poesia
Plenamente entregue aos teus
Malditos versos.
Rega meu corpo
Com as aguas de Aqueronte
Vagamos entre Hades e Édens
Suas mãos a profanação
Em busca ansiosa por paraísos esquecidos
Nus, mergulhamos no Estige e,
Submersos participamos  da grande orgia
Com almas sombrias
Enfim, por misericórdia de Afrodite, resgatado.
Erato e Aedo. Eu e minha lira 
a inspirar teus versos   
(angels)

Teu lábio tem outro nome
enquanto o som vibra
e umedece minha boca.

Teus olhos
densos, soberanos
sabem apenas que os mares
não tem deuses nessa vida.

Tua beleza trazida pela espuma
foi coroada de rosas,
envolta em nuvens
nunca desejou nada.(...)

(...)Sou Erato, meu poeta,
a musa que te inspira .
Sei que me desejas,
mas a mim nunca terás!

Beleza que ofusca teu olhar,
mas atiça tua imaginação,
aclara o teu pensar
e governa tua ação.

Sou a amável, a lírica,
a própria poesia que me rendes.
Fazes poemas de amor e de guerra...
Escreves, depois te arrependes!
Amor, porque me queres.

Guerra, pois não me tens.
Eu sou de todos os poetas,
sem sequer ser de alguém

(Marcello Lopes.)

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