sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Poetas vão pro Inferno



Berrei tanto que hoje sou grito
Briguei tanto que hoje sou guerra
Uma moleca com pés no chão
Sempre verso, nunca canção

Ave, a moça de rapina,
A devorar tuas entranhas
Enquanto ainda respiras

Não há resquícios neste corpo
De alma de fêmea ou dama
Nada mais dor que ser livre
Nada mais vil que mulher poeta
Nada mais forte que amar a Arte
E, por ela, ser violenta.

Ergo minha espada. Ela é um lápis.
Empunho um escudo. Ele é de papel
Rastejo em esgoto. Vivo o submundo
A luta com meus versos é cruel

(Nunca um poeta
Ganhará o céu)

- Nunca um poeta 
Ganhará o céu.

N u n c a  u m  p o e t a
G a n h a r á  o  c é u

Berrei tanto, que grito!
Briguei tanto, sou guerra!
Mas dói, dói mesmo
É ser poeta.

Angel.
Pintura de Roberto Ferri



Nenhum comentário: