quarta-feira, 4 de maio de 2016

Tulipas




Sou como os cabeça de tulipa e semeio  girassóis
Tenho pedras chacoalhando soltas dentro da mente
E, por isso, me  importuna o constante vibrar de sons
inaudíveis aos outros.
Quero me armar de um punhal
que transpasse corações sem ferir,
mas que os sangre e que, sangrando,
 não permita que parem de pulsar...
Quero cortar orelhas e rasgar sorrisos
Há alguma verdade no que berra a multidão?


Há alguma lógica exata no belo?
Há respostas?
Pois sou tão miserável que não tenho certezas
trago a roupa remendada de buscas maltrapilhas, de incógnitas
Uma indigente com a mente florescida, florescendo.
São muitos milagreiros jurando curas
Poucos são os milagres.
São tantos perfeccionistas ditando normas.
Poucos são os éticos.
Penso que não há soluções onde não existe problema.
Só ouço, assustada,  o choro e ranger de dentes 
dos hipócritas sobre púlpitos.
Em mim a agonia infinita de Prometeu
de ser devorada, de carregar a ferida aberta,
de ansiar pelo Fim, pela minha plena humanidade.
Não quero me curar.
Não quero ser perdoada.
Quero estar perdida em mim,
Buscar-me incessantemente.
Perder-me e reencontrar-me . Já Fênix.