segunda-feira, 27 de junho de 2016

ferida



Dias frios corações quentes
Batem-se
Debatem-se
Há vozes ao redor
Não as ouço
Embora compreenda o que dizem
Queria um abraço
Mas eles nos roubam pedaços
Prefiro ficar num canto
Lambendo minhas feridas

cansaço



Chega de ser eu por hoje
Isso me deixa exausta
Eu sou muito sozinha
E tenho a alma desassossegada

varejeira



  
Por que me perco 
tão completamente 
em teus versos vagabundos?
Odeio as moscas 
que se prendem 
ao mel de suas palavras
E odeio ser apenas 
mais uma mosca 
enredada em sua trama

Sub




 Ai, meu vagabundo
Castiga-me de ciúmes
 seduzindo outras mulheres
Enches-me de tesão
Queria grudar minhas
garras e teu pescoço
E mata-lo de prazer
Mas sou menina obediente,
então me
 calo a espera
 de  teus  comandos

fome



De repente me deu fome de coisas raras
Destas sem forma
Sem preço
Sem nome
Dessas que a gente só toca
Com a alma

Eu fico



Digo que vou partir, mas fico
Silenciosa como uma tarde de outono
Há ao redor apenas o ruído de folhas caindo
Suavemente
Passos não se ouve
Ninguém volta
Nem eu vou