segunda-feira, 18 de julho de 2016

Insônia

Fecho meus olhos para dormir
Assim me tranco em mim.
Vozes estranhas vem me buscar
Elas me levam sempre ao mesmo lugar
Rios de águas sujas
Correntezas famintas
A me devorar
Atravesso sempre a mesma ponte
Sinto sempre o mesmo medo
Nunca sei onde vou chegar
O pânico de afundar lentamente
Não há ninguém para me salvar
Não há mocinhos ou vilões
Tudo é meu medo. Tudo solidão.
Por mim, nunca dormiria...

Ingratidão

Tantas vezes fiz amor contigo
Completamente sozinha em meu quarto
E tantas outras, queimei de amor
Pensando arder em febre
Não quero mais me importar contigo.
Nem sorrir, nem chorar...
Agora que decidiu partir
só o que levará de mim será
minha mais profunda apatia
Finja. Represente.
Rirei.
Rirei intensamente
(Intimamente)
Incline tua cabeça e veja onde estou
(Como estou)
Não me procure no chão
Onde me deixou.
Me reergui. Já me cansei de ti

Gélida

Passei por dores. Muita gente passa.
Mas cada um  sente a sua maneira
A dor que lhe transpassa.
E se fica ou passa, isso é problema seu...
A ferida que fez-se em mim
Me anestesiou o coração.
Eu, tão cheia de vida, me
Perdi nessa contramão.
Estou como o gelo dos polos: 
Mutável, mas sempre frio...
Absurdamente fria!
Meus beijos carregam
O hálito gelado da madrugada
Quem tocaria em uma mão como a minha:
Pequena, trêmula, sem cor?
Fui resfriada viva. Nada sinto.
Tudo queima friamente dentro de mim
Nada me comove mais...
Minhas lágrimas doem empedradas nesta alma ártica.
E nada me aquece.

Geladeira

Por quanto tempo ainda terei
Que abraçar teus braços gelados?
Por quantas vezes terei
Que me ver refletir em teus olhos cansado?
Estou longe do meu lugar
Não vejo lugar para mim
Não me encaixo a paisagem
Fico a observar tuas gravuras obscenas
Molduradas por inverdades
Todas estas mal traçadas linhas
De uma arte abstrada e
Sem sentido para mim
Não consigo compreender esta beleza
Ela não me traduz nada
Como uma grande conspiração
Como se fosse a festa errada
E isso que nasce de mim?
E isso que morre em mim?
Meus lábios se abrem. As palavras fluem. Mas se congelam no ar, caem, quebram-se
Então, instantaneamente se evaporam
Formando em torno de mim um
Mormaço angustiante do que sou
Ou do que pretendia ser...
Bebi o mesmo veneno tantas vezes
Que ele passou a correr em minhas veias
Tem que existir um lugar de paz
Tem que haver um paraiso de luz
Alguém precisa contar histórias de ninar
Preciso de um final feliz
Quantas ilusões se cravarão em mim?
Quantas verei morrer nos olhos de quem amo?
Não precisa mais mentir
Eu já sei
Em seu coração
Não há lugar para mim.

Entre nós

Toquem os flautins
Chorem os oboés
Para você e para mim
Sempre como deus quiser

É na madrugada
Que aprendi sonhar
Hipnotizada
Tentando lhe achar

Pelas águas sonsa
deste meu destino
Beijos muitas bocas
Neste meu caminho

Mas nenhuma delas
Tem seu gosto não
Toquem logo as cordas
Deste violão

Que meus olhos vejam
Mesmo sem visão
Que o amor que sinto
Não é a toa não

Se a nossa música
Não desafinar
Vamos pela vida
Até deus chamar

Angel

Drama

Queria amar alguém
Que só me fizesse chorar de alegria
Que risse comigo no raiar do dia
Que se emocionasse com meus problemas

Queria amar alguém
Que me contasse lindas histórias
Que brincasse com meus filhos
Que me cantasse canções de amor

Queria amar alguém
Que me desse banho quente
Que acariace meus cabelos enquanto durmo
Que me trouxesse flores

Queria amar alguém
Que me fizesse forte
Que corresse comigo na chuva
Que espalhasse bilhetes de amor

Queria amar alguém
Que nunca me traísse
Que nunca se enjoasse
Que sempre me amasse

Mas que eu posso fazer
Se apesar de tanto querer
Fui amar logo você