domingo, 24 de julho de 2016

Minha sábia

A sábia sabia
Assobiar
E assobiou
Assobiando me fez sonhar...
Se a sábia
Soubesse 
Assobiar, assobiaria
Noite e dia
Só pra não me ver chorar...
Das saudades que eu sinto
E não consigo sossegar
Se a sábia
Soubesse assobiar,
A todo sopro
Na palmeira
Faria meu coração cantar
Mas a pobre sábia
Não assobia
Fica nesta monotonia
Noite e dia
Pobre sábia

Verso

Um palhaço triste, sou eu
Um oceano vazio, sou eu
O vaso de flores murchas
Sobre a velha sepultura do cemitério,
Sou eu
Quanta mágoa pode suportar um coração
Antes de se dilacerar?
E o ranger daqueles milésimos de segundos quando a dor esta para se tornar desespero...
Ah, estes ruídos...
Trago tantos pensamentos nesta alma vadia
Que versos farei?
Que tristes versos farei...

Madrugada

A noite quando cai
Traz no seu tombo a saudade
Minha mente diz que é vã
A procura, a espera...
Mas meu coração sobrevive
Na certeza do reencontro
Foram breve os momentos felizes
Porém eterno o encanto
Seria minha carta um verso?
Será um poema meu pranto?
Só sei de um futuro incerto
Só sei de meu desencanto
E lá onde ouve-se meu canto
( num canto escuro da sala)
Eu me amanheço esperando
Pensando em como encontrar
Um modo certo e faceiro
De meu amor declarar
Com os raios do sol
Começa o dia
Finda-se a noite
Encerra-se a agonia
E morre estupidamente
A poesia


Lenda



Por sob a muralha das lendas
Acima da lei dos mortais
Queimei a mortalha nas cinzas
Pintei de verde os murais

Corri para além de mim
Alcancei o inferno de Dante
E olhando através dos portais
Não vi nada, como via antes

E o inferno que pos-se em mim
Ardendo em chama incessante
Queimou a alma em rima e
A consciência restante

Nas brumas da madrugada
Num céu vazio e oculto
Restou apenas o instante

Roendo as folhas do tempo
O verme se entre rolou
Dormindo, parado em seu ventre
O constante se transformou

Voando por sobre as muralhas
Sua vida virou uma lenda:
Um amor que venceu a mortalha
E reviveu de suas cinzas

Angel




Julgamento

Queria dizer adeus sem remorsos
Sem tropeçar nas palavras
Ou nas lágrimas
Queria não magoar ou
Sair magoada
Mas este sentimento esta vivo
Então, como dizer adeus
Se vejo, dentro dos olhos,
Uma ferida maculado a alegria?
Me tornei uma assassina
Matei sua alma sem piedade
Me sinto culpada...
"Por minha culpa, minha tão
Grande culpa"
Confesso que não tive coragem
De me entregar ao amor
Não, não quero advogados,
Não vou tentar me defender
Quero ser congelada, pois
Me neguei a aceitar seu calor
Quero ensurdecer, pois
Não acreditei em suas promessas 
Quero me cegar, pois só enxerguei
Problemas. Nunca nosso amor
E o grande martelo da justiça soou:
C o n d e n a d a !
Condenada ao medo de viver
Condenada ao vazio interior
Condenada a ter pena de si mesma

Baixei meu olhar ao chão
E ele se encheu de lodo

Eu queria dizer adeus, mas
Não consigo
Meu corpo não quer
Meu coração não quer
E, no entanto, seria tão 
Razoável..
Se é certo por que dói?
Uma cruz a ser carregada
Uma lágrima a ser chorada

O adeus não é dito, mas
Os dois corações se afastam
Dilacerados...
E, pelo resto da vida,
Ouço os sons das correntes
Sendo atrastadas pelo
Fantasma daquele amor