terça-feira, 4 de outubro de 2016

inverno



Eu não te pedi muito:
Um caderno para compor poemas
Uns livros pras tardes cinzentas
Uma garrafa de tinto

Te pedi a dor de não seres meu
A fim de instigar-me uns versos
O açoite perfeito na hora do gozo
O doce carinho na cura da dor

Te pedi a mão sufocando o pescoço
E o nó apertado no peito.

A liberdade de ser
 mais poesia que gente
Pois a quem é
poeta urge o não ser

Em troca eu lhe dou
Toda minha confusão
O rouco da minha voz
O afago na minha mão

Em combustão, o meu corpo
Em rabiscos, alguma poesia
De ver-me sangrar, a alegria

Daria-te a taça vazia
com que ias me embriagar
E pra onde fosses
O perfume dos meus cabelos
Podias levar

Aprendi a fazer a poesia
por magia se materializar
então mesmo de longe
posso tocar e excitar

Se minhas palavras te despem
Se elas te põe com tesão
Não me julgues
Não me condenes
Com tanta severidão

Tudo o que rogo
Tudo o que posso te dar
É o dom ou castigo 
De que padeço
Que é poetar.

Angels.