quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Gira-sol






 Caminhando entre delírios
Meus pés sagravam espinhos
Parei a beira do caminho
Para ver o tempo brincar

Avisteis algumas flores
Bailando ao som do vento
Frágeis e trêmulas
Suspiravam devaneios

Rabisquei meu nome na terra
Com dedos de contornar sonhos
Toquei algumas sementes
Que logo desejei plantar

Cultivei-as no meu quintal
Iludida com os  lírios que virá
reguei-as- com todo carinho
(carinho de que esta a sonhar)

Mas nas cambalhotas do tempo
Qual não foi minha surpresa
Ao descobrir que a vida
É o poder da natureza

Ao invés de um jardim de lírios
Brotaram girassóis
 grandes e amarelos
cheirando desilusões

Mas olhando-os com atenção
Vi o que tempo queria dizer:
A vida nos entrega sementes
Que devemos cultivar
Nem sempre ficamos contentes
Com o que vemos brotar

Hoje eu compreendo
O valor do inesperado que
trouxe aos meus olhos,
ainda despreparados,
flores que me ensinaram
um valor inestimado.

Girassóis não tem perfume
Como orquídeas ou rosas
Não são flores delicadas
Como margaridas ou dálias
Mas trazem o coração
Repletos de sementes,
sorriem para o novo dia e
se movem em busca da luz!

Plantei em meu coração
Pequenas sementes-girassóis
Que um dia, quando eu murchar,
Elas possam se espalhar
Deixando o meu carinho
A quem quiser cultivar

Angel.

Tempos

Deus me cantou 
uma canção de paz
e quero dançá-la.

A vida me presenteou
com momentos de fé
e quero agradá-la.

O amor se tornou
esperança
e quero vivê-lo.

Não são momentos,
são intensidades

Vou respirar o ar poluído
e permitir que toda minha fúria
se renove

É tempo...
... de novos amores
....de paixões mais sinceras
.... de poesia.

Angel.

Delírio


Sou tua serva e sou teu grito
Um gemido abafado e 
Aquele suspiro suspirado
Num segundo de delírio
Entre o querer o não poder te encontrar.
Sou aquela que se oculta entre os becos a espera dos poetas que tropeçam entre seus versos e a cachaça que acabaram de entornar.
Sou os ponteiros do relógio que se encontram a meia noite no horário que os amantes se entregam ao luar.

Angel

Língua


Minha língua 
Louca e lisa
Desliza
Por tua pele
Nua e quente
E retira do teu
Membro intumescido
Todo leite
Que a fome do 
Tesão pôde 
Gozar...



Angel

Em ti...

Tenho tesão em ti
Que me fodes sem me tocar
Que me machuca sem me olhar
Que me sangra sem me furar
Quero ser a lâmina afiada que corta teu pulso
O impulso fatal
O último brilho nos olhos,
Antes do olhar final.
Quero ser o momento exato do teu gozo
E a lágrima a escorrer quando soube que amor por tuas mãos há de morrer...

Angel.

Monstros


Para os olhares dos benquistos e honrados cidadãos deste planeta decadente nosso amor é uma completa aberração. Deformados que estamos pelas chagas da maldita solidão. Eis que o poeta permite que sua musa o seduza bem no meio de uma multidão horrorizada. 
E nesta cruza tão profana a musa grita extasiada Quero que penetre-me com tua poesia enrijecida.
Nasce daí o caos poético que quase salva este mundo decrépito da hipocrisia...Somos Arte que não se reparte
Poesia sem começo ou fim

Angel