terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Olavo

Com sono/ 
Cansado
Mas sem poder dormir
Sozinha vaga
A onda do mar a me invadir
A cama, um barco
Quase um porém a intervir
E eu naufrago
Neste meu medo de sorrir
O verbo invade
O meu sujeito sem medir
As consequências
Da norma culta transgredir
A flor do Lácio
Chafurda na lama do chão
E é assim que nasce
A poesia transgressão
Amo-te assim humana e imperfeita
Que se foda a erudição
A minha língua lambe 
    terra, 
      porra, 
         poesia e 
               esse chão.
Se ela é portuguesa também é africana, guarani  e tantas outras
Por isso eu pontuo como quero este meu lirismo insano.
Não vou adjetivar um dano
Pra usar de fino pano e
Camuflar meus versos nus e em pus
A vertigem que a maresia causa
Não dá tregua ou pausa
Preciso é remar...
Nando já dizia navegar é preciso
Rumo ao grande Nilo
Vou barqueiro errante
Voraz delirante
Poeta-mar



Angel.