segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

No bar



Por favor, garçom! 
Encha o meu copo
Preciso de um veneno
Que seja letal...
Por favor, garçom
Não negue meu pedido
Toda noite estou aqui
Já somos tão amigos...
Não posso mais ficar
Nesta vida a toa.
Pois minh'alma
Um canto já entoa
Um canto de adeus
E ele é tão triste
Que me põe aos prantos
Sou só desencanto

A Dama da Morte
De vestido carmim
Já vejo chegar
Para me conduzir
Me leva para dançar
Num bailado atrapalhado
Eu tropeço no desejo
Anseio por seus beijos

Por favor, garçom.
Me traga uma caneta
Prometo lhe deixar
Dois versos e 
A gorjeta neste guardanapo
De papel manchado
do pranto que sequei
assim que foi chorado.

Obrigada, amigo.
Agora vou partir
Entregue a minha amada
A carta que escrevi.
Não conte que chorei
Diga que sorri
Enquanto a bela moça
De vestido vermelho
Me levava daqui.

Angel.

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