terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Riscos

Estou distante de tudo
Me isolei aqui
Rasgo-me e reviro-me 
Sou avessos
Rabisco chaves
Em minha pele
Pra minha alma fugir
Cuspo vermes 
Enquanto falo
Porque já morri

Angel

Moscas

Vejo varejeiras
Poedeiras 
de larvas canibais
Voam incansáveis
Rodeiam
Querem um lugar quente
Querem um bom lugar
Pousam e ali
Desovam a morte

Há varejeiras
Por toda parte
Elas devoraram o cérebro do meu irmão.
Destroçaram nossa alegria...
Destruiriam minha infância...
As varejeiras.

Angel.

Soul poético

Queria fazer da poesia
Um blues
Um lamento musicalizado
Um chorinho, talvez.

A vida borboleta breve
Bate as asas leves
Ao ouvir-me nu.
Valsando no pandeiro das saudades

Passos trôpegos de felicidade
E olhos embaçados de amor.
Que venha a quarta-feira
Pago caro o custo desta vida
E não há SUS que cure minha ferida

Então fiz da poesia meu rock n'roll
Meus versos estridentes sons da guitarra
Não são pra qualquer um.

Desloquei meu pescoço num poema torto
E quase morto, sobrevivi
A morte dos cisnes e aos gritos da ópera
Pois sou malandra na forma e swing
E tanto me punham no ringue que eu aprendi a lutar.

Angel.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Amor

Meu doce e proibido amor
Choro tua ausência quase estranguladora
Choro nosso desejo impossível
Choro teu abraço improvável
E o gosto de teu beijo invisível...

Meu doce e proibido amor
Não me peça pra explicar
Porque se eu tiver que traduzir
Nós dois vamos chorar, eu sei

Sei que andou me procurando
Em outros braços
Que tropeçou e em outras camas
Perdeu o teu compasso
Mas nossa música nunca se perdeu
Você é melodia, os versos sou eu

Meu doce e proibido amor
Que azar o nosso não nos pertencermos
Que tristeza nos braços um do outro
Não amanhecermos...

Angel.

Amor

Deixa-me ser tua sem ser.
Ser o sonho de tua noite
O primeiro pensamento em teu amanhecer
Quero ser o pão que devora
E a faca faminta que o corta ao meio.
Quero ser o calor do meio dia
E o frescor da brisa que te refresca
Quero que estendas a mão e me toque sem eu estar.
Quero ser tua sombra ao sol e tua luz na escuridão...

Angel

Corte

Hoje quero a lâmina mais fina a traçar o seu bailado lírico sobre minha  pálida epiderme.
Que seja suave e sangrado manchando de carmin o meu leito dourado.
A dor desfilando ligeira sobre a carne, traçando retas, encurtando metas. 
Usurpar o que é sagrado. Ter os olhos selados pelo beijo maldito.
Hoje eu preciso silenciar todos os gritos dentro da minha cabeça...

Angel.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Jardim




Rasgo-me em flores pra ser menina de teus olhos jardins 
Onde cultivamos nosso amor-beija-flor
Onde bailamos lírios ao vento
Onde giramos sóis em cata-ventos
Onde espinhamos rosas e perfumamos orquídeas
Nós que borboleteamos os verbos
Besoureteamos os sujeitos
Nós, que minhocamos os predicados
Cavemos a cova da semente-que-será-flor
Broto eu. Brota tu. Brotemos.
Infinitamente.

Angel

Oceanar

Sim, dou-me de corpo e alma e escancaro a nudez de meu eu para amores reais e imaginários. 
Minha versão pouco correta de fêmea causa indignação, curiosidade e ira. Mas quem irá compreender uma alma apaixonada e livre num tempo de liquidez e utilitarismo pungentes?
Desisti de buscar compreensão, quero apenas por versos em garrafas e lançá-los ao mar.
Talvez sereias profanas ou navegantes de outros tempos as encontre e possam beber e embriagar-se de minha poesia...

Angel

Detalhe

Se a vida são os detalhes
Se o que fica é a essência
Por que viver com pressa?
Por que só valorizar a aparência?

Nossa vida um instante
Diante da eternidade
Nosso planeta gigante
No Universo é  grão de areia

Mas o que faz você especial
É o fato de você ser
Então    S  E   J   A

Angel

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Carnivale



Brincamos de amor a noite inteira 
pulamos carnaval em volta da fogueira
 Você era Sininho eu era Peter Pan
Você é minha Jane eu  seu Tarzan
E foram três dias de pura Folia
E foram três noites de muitas alegrias

Brincamos de amor a noite inteira 
pulamos carnaval em volta da fogueira
 mas daí chegou a quarta- feira e 
de Cinza Ela sujou a nossa fantasia

E você foi embora me deixando a agonia 
agora eu não brinco mas o carnaval
Eu sambo o meu samba que é atemporal

Não quero mais brincar de amor
Não, não quero mais saber da dor
Cansei de me queimar nessa fogueira
 e acabar em cinzas numa quarta-feira... 

Angel.

Sartreando



Você olha para mim
Como se fosse salvá-la
Seus olhos gritam sua solidão
Antes que a noite tenha fim
Preciso avisá-la
Sou eu a própria danação

Aquele que caminha delirante
Entre a loucura e a sanidade
Sou o perdido, o errante
Feito cavaleiro andante
Meio Quixote, meio Sade


Bailo indecifrável pelo salão
Ninguém jamais tocou
Este velho coração
Por isso vou rimando
Devassidão e castidade
como se passar pela vida
Fosse dançar num grande baile

Ah, menina! Preciso que saiba
Prezo com apreço a liberdade
E a ela eu vou lhe condenar
Mas, se mesmo sabendo disso tudo,
Ainda assim, quiser um beijo
Não desprezarei nosso desejo

Prometo guiá-la pela estrada da perdição
Dar-lhe ei a intensidade de uma noite
A dor do nunca mais e a sua alforria

Ah, menina! Você há de saber
(depois do nosso beijo)
O quanto vai valer
A dor e a delícia de se pertencer.

Angel

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Shiuuuu

Eu bailei anonima nos teus sonhos
E surgi oculta em teus versos
Fiz valsa secreta nas tuas canções....
Mas meu nome (segredo) era o qual sangrava em  teu coração....

Angel.

Deixa-me


Deixa-me ser a que caminha sozinha
De olhar firme e mãos tremulas
Deixa-me ser a que não sabe cantar e nem dançar, mas ainda assim, aquela que mais ama a música.
Eu tenho todos estes barulhos na minha cabeça, mas não sou esquizofrênica. Sou pior, sou poeta.
Vocês me emolduram. Querem me por numa parede mal pintada... Eu não caibo.  Nunca vou caber...
Deixem-me seguir equilibrando-me na corda. Eu a estirei. Eu a colocarei em torno do meu pescoço quando chegar a hora.

Angel

Eu



Ás vezes girassol
Exuberante
Sol com raiz
Coração semente.

Outras margarida
Delicada e frágil
Sem cheiro ou cor
Alma pura

Ás vezes, sem raízes
Um leve colibri 
Ágil, astuto
Planando entre jardins

Outras, com asas, 
Mas corvo
Introspecta e sepulcral
Pousada em umbrais

Mas sempre eu
Metamorfa.

Angel.

Sobre Cazé



Eu conheci um menino que andava nu pelas ruas de Curitiba 
Ele trazia apenas um violão debaixo do braço e toda a liberdade sob seus pés
Eu conheci um menino com um sorriso lindo e o olhar brilhante de quem sabe gozar a vida.
Eu vi o menino tocando violão e cantando. Seus seus olhos eram os olhos da Liberdade 
E seus braços não eram braços eram asas.
Eu vi o menino de Curitiba alçando voo e seu voo era pleno.
De repente ele não era menino ele era passarinho. Passarinho sem ninho, sem galho para pousar. Passarinho Pura Liberdade voando na imensidão do céu
E voando ele ultrapassou várias barreiras a do som, a da luz, a dos tabus.
E o menino ligeiro fugia de todas as arapucas da hipocrisia e de todos os alçapões da falsa moralidade.
E, às vezes, eu tinha sorte do menino me chamar de madrugada para brincar entre as estrelas. Nós dois éramos cometas ultrapassando todos os limites astrais intelectuais e sexuais.
Era eu e o menino de mãos dadas balançando pela rede.
Era eu e o menino trocando de histórias e poesias e canções.
Eu e o menino Pan batendo tambores, tocando sua flauta, dedilhando poesia, masturbando-nos na cara da caretice.
Afinal, o menino de Curitiba não era um menino, ele não era um passarinho. Ele era música e era liberdade na sua essência mais pura. Cheio de sacanagem,  repleto de ternura.
Eu, menina, vivo presa em minha gaiola escura, mas, às vezes, meu Pan menino me busca para brincar. 

Angel

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Ange Piai e Cazé Rodrix

Sem melodia
Letra: Angel Piai/  música: Cazé Rodrix

Tanta coisa acontece 
em meu interior 
a cidade anoitece 
permanece o calor. 
Há magia no ar 
folhas verdes no chão 
recomeço a cantar 
outro velho refrão. 
Para falar de alegria 
de uma doce paixão 
que pulou na folia 
e virou um só coração. 
Se me abraça a agonia 
procuro a solidão 
e na noite vazia 
reescrevo a canção. 
Ao mudar a melodia 
reconheço no tom 
o toque da nostalgia 
que vem do coração. 
Deixo que chore a alma 
ao som do cavaquinho 
o meu cantar não é pobre 
é o sonhar de um menino. 
Traquinagens e birras 
gargalhadas e cantigas 
essas são minha sinas 
por viver amando a toa. 
Há quem chore por mim 
(este há de morrer de dor 
ao perceber que de mim 
só se recebe calor). 
Se há marcas no corpo 
destas antigas paixões 
tento fugir do sufoco 
trazendo poemas nas mãos. 
E quem ouvir meus soluços 
e tropeçar no meu nó 
há de abrir-me os braços 
e enlaçar-me sem dó.

Pescado




Sou um pescador de sereias do além'ar
Sou um pescador de sonhos, deixo-me levar...
Um poeta louco, cheio de ilusão.
Fiz o meu barquinho  num papel de pão
E nele eu navego por tantos destinos. E nele carrego os meus desatinos.
Barcos são poesias que sabem nadar.
O que meus lábios não falam, eu vou lhe contar:
já pesquei estrelas
Já fisguei a lua
já teci poemas
tarrafei  canções...

Minhas mãos tem calos
Meus pés esporões
No peito cicatrizes
Minha alma paixões

Eu sou pescador de palavras
Eu sou pescador do sentir
Homem simples com a marca do porvir
Trago oferendas a Iemanjá
Jogo minha rede, esse é o meu orar.

Rabisco meus versos
Na areia do mar
Que é para as ondas
Os poder levar
Não quero se eterno
Quero é mergulhar
De cabeça neste tal e amar.

Angel Piai.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Poesia

Poesia, poesia.
Me salva da vida vazia
Me salva das dores de amores
Me salva do medo da morte

És minha religião
Minha paixão mais profunda
Os erros mais belos que deixo
pelo meu caminho

És, poesia, o sangue que jorra 
das minhas feridas
(Que são tantas)

Angel.

Cicatriz



Prosto- me silenciosa 
diante de tua ausência
e as lágrimas
 não derramadas
correm dentro das veias
envenenando meu sangue

Tu, que não és, 
não sendo me consola
Teu não estar é
Sádica companhia 

Há um laço invisível
juntando nossos calcanhares
de Aquiles
Nossas cicatrizes se estendem 
em ambos os corpos 
e, nelas nos remendaram juntos.

A frivolidade das conversas 
nos permite tal amor que
não foi, nem é ou será, mas
que permanece sendo.

Reconheço o porquê
dos teus silêncios... 
Sigo com a paz
que não possuo, pois ela é
irmã siamesa de tua guerra.

Angel.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Morte da poesia



Qual faca há que de tão afiada possa cortar ao meio minha dor?
Reparti-la de forma a minimizá-la.?
Que não corte a dor, mas corte o pulso ao menos?
Foca a faca na veia e faça a fina marca.
Foque no fio de sangue que escorre.
Fixe na dor que faz doer menos teu peito. Escorre poesia junto com sangue. 
Livre-se da maldição da poesia que te fez maldita.

Morra, poeta. Morra!

Angel.

Messenger



Agora que tudo é adeus
sinto não ter guardado
nossas primeiras conversas
emolduradas na parede do quarto.

Angel.

Florir



Minhas mãos bailam borboleta
Por flores dos teus jardins
Duas meninas faceiras
Colhendo lírio e jasmim
Parte uma da outra
Com boca de beija-flor
Sugando o nosso néctar
Pousando de dor em dor
A boca solvendo o mel
de lábios ocultos,
Sugando leite inexistente
De dois pares de seios 
Imperfeitos
O prazer absoluto
De natureza tocante
Aranhas tecendo teias
Em noites provocantes
A perfeição do extâse
A delicadeza do gozo
Irmãs, filhas da Deusa
Amigas da Terra e do Ar
Amantes, a arder na fogueira
corpos lenha para queimar
Meninas correndo lobas
Uivando em frenesi
Parindo do próprio ventre
A Deusa que habita em si.

Angel.

Culto

Teu corpo templo, o meu adoração.
Nossas bocas oração uníssona do prazer.
De cor recitamos o mantra que sagra nossa carne. 
E glorificamos a fornicação bendita que nos faz santos..

  • Angel.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Desabafo

Deixa as palavras flutuarem confusas diante de sua mente cansada.
Há o êxtase, a euforia e a exaustão, então a criação.
A poesia é minha heroína. Direto na veia. Direto na mente!
Ressuscito o grunge poético,
O verso dos becos,
O grito dos excluídos.
Olha, há lixo por toda cidade.
Há ratos no congresso
Carnificina nos vilarejos
Abutres fardados comendo carne podre
Há raposas farejando por todo canto
Não me peçam que fale sobre o amor enquanto me enrabam
Finjo-me de morta com estas flores nas mãos, mas espremo os espinhos entre os dedos. Quero que furem, quero que sangrem, quero me manter acordada. Estou observando a tudo.
Não há glória em ser poeta. Todos  somos sujos.
Sem mergulhar no esgoto não há poesia. Pelo menos não uma que preste.
Auto ajuda é uma porra de merda que me faz vomitar
A verdade é que todos os homens que me escreveram para ser mais doce em meus versos, foderam comigo dias depois. Adoro hastear minha bandeira em seus mastros eretos de hipocrisia.
E, adoro fazer textos longos que poucos leem. Porque são profanos, mas são sagrados e não merecem estar diante de certos olhares.
Todos os dias uma Mia é violada e morta na poesia. Os caras fingem não ver. Bem sei. Tenho lidado com esta merda a vida toda. É muito difícil ser mulher e mexer com arte ao invés de cozinhar.
Eu tive que pensar cedo em preto e branco. Nunca foi rosa. Nunca houveram pôneis , nem purpurina. A vida veio seca e só descia goela abaixo quando eu roubava conhaque do meu  pai e matava aula para beber com os roqueiros  em construções abandonadas, descia quando eu abria um livro escondido debaixo da carteira enquanto a professora dizia que a trigonometria mudaria nossas vidas.
E eu tomei muita porrada na cara (literalmente) para me fazer forte. Aprendi a levantar de olho roxo e encarar a vida.
Então, não me peçam a porra de versos doces, enquanto eu tomo socos no estômago. Faço poesia enquanto mal respiro. E não me interessa se  não é bonita, se não é agradável, se não é poesia para você.  Para mim, é: grito, arte, porrada!
“Sou um fingidor. Finjo tão completamente, que chego a fingir que sou dor. A dor que deverás sinto... ”
Os necrófagos me rodam, mas quantos mais pedaços eles me arrancam  mais me reciclo.
A borboleta nunca deixa de ser lagarta por dentro ou lagarta sempre foi borboleta?
Borboletar. Borboletar. Borboletear. Bodelainear ...  nem a borboleta sabe. Nem a lagarta quer saber...

Angel Piai

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

A toa



Sou à toa como os passarinhos.
Às vezes, busco ninho
Outras só quero voar.  Entre espinhos e heras.
No sol de mil primaveras. Ser sem lar.
Assobiar pros moleques de bodoque na mão só pela aventura de fugir da pedrada quase certeira...

Angel

Livre



O canário canta e vive na gaiola.
O pardal silencia e voa livre.
Liberdade que o obriga a fugir de predadores. Buscar comida, água e abrigo.
O canário tem tudo isso e, de barriga cheia, olha o pardal na imensidão e assobia um canto triste.

Angel

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Burlar



Bailemos loucamente este amor de faz de conta.
Teus braços enlaçando a ilusões com que eu me visto.
Assim burlando a morte vamos atrás da eternidade.

Angel

Pensamentos



Meu coração é um jardim
Nele há rosas cheias de espinhos.
Se você não teme a dor terá flores...

Angel.

Pensamento



Borda meus sonhos
Em teu travesseiro
Abraça- os com a força
De quem realiza e
Dorme com a paz dos que amam.

Angel.

Arte



Consagra-se assim
A sublime profanação
Da Arte que vive em mim
Dos versos que saem de ti.
Dois anjos caídos
Dos braços do paraíso
No tombo, restaram apenas
Dois pássaros feridos
Um amor despedaçado
Dois corações partidos

Angel

Cheiro



Presta atenção ao cheiro do meu silêncio
Ele tem odores variados do que digo quando calado.
Presta atenção aos meus olhos que falam do meu querer e do não querer.
Não digo só com palavras. Elas são poucas para comunicar as minhas intensidades...

Angel.

Balir



Digamos que eu parasse de falar de sexo
Que tirasse todos os "palavrões" dos meus versos. Que eles fossem apenas sobre dias ensolarados e céus estrelados.
Digamos, pois que minha poesia fosse hipócrita como essa gente que enche as igrejas... 
Digamos que eu sentasse de terno e gravata numa das cadeiras da ABL e sorrisse meu corega arrotando caviar
Digamos que...
Sinto.muito, essa não sou eu.
Sempre fui a ovelha negra. Bali profanação por todo lado.
Sei (bem sei) que ser livre assusta, mas nunca coube em nenhum cabresco. 
Por isso entendo Sartre ( condenados a sermos livres)...  Por isso compreendo Simone ( Que nada nos defina, que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância).

Por isso não peço que ninguém me siga. Cada um tem seu próprio caminho.

Angel.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

O por-do-sol
É porto de passagem
Para o azul mar de meus olhos
Onde tua alma navega
Oscilando sobre as vagas
Circunstâncias 
Que nos fizeram
Amantes.

Angel.

Machadiando




Trace teus traços poéticos
e trance tranças em mim...
Tu, Bentinho. 
Eu, Capitu.
Com a pena faça um poema
Rime seus versos.
Com meu spray rabiscarei
em muros uma canção 
sem métrica.
Rasgo o riso
Risco a reta
Tranque teus trecos num banco
e destrave as travas dos medos.
Tu, Casmurro mergulhado em
meus olhos de cigana obligua e
dissimulada.
Eu, com olhos de ressaca estrangulada
Por teus ciúmes e tua ingratidão.
Meça com metro as palavras
Escreva dicionarismos.
Meto com força nos versos
palavras que as fiz minhas.
dultera adulterei o sacro sagrado da Arte.
Mas eu peço que apedrejem-me os poetas que nunca gozaram dentro da poesia sem camisinha

Angel.

Desjejum




Com a faca de pão
Cortou meu coração
Passou requeijão e
Comeu com visível
Satisfação...

Angel