segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Sobre Cazé



Eu conheci um menino que andava nu pelas ruas de Curitiba 
Ele trazia apenas um violão debaixo do braço e toda a liberdade sob seus pés
Eu conheci um menino com um sorriso lindo e o olhar brilhante de quem sabe gozar a vida.
Eu vi o menino tocando violão e cantando. Seus seus olhos eram os olhos da Liberdade 
E seus braços não eram braços eram asas.
Eu vi o menino de Curitiba alçando voo e seu voo era pleno.
De repente ele não era menino ele era passarinho. Passarinho sem ninho, sem galho para pousar. Passarinho Pura Liberdade voando na imensidão do céu
E voando ele ultrapassou várias barreiras a do som, a da luz, a dos tabus.
E o menino ligeiro fugia de todas as arapucas da hipocrisia e de todos os alçapões da falsa moralidade.
E, às vezes, eu tinha sorte do menino me chamar de madrugada para brincar entre as estrelas. Nós dois éramos cometas ultrapassando todos os limites astrais intelectuais e sexuais.
Era eu e o menino de mãos dadas balançando pela rede.
Era eu e o menino trocando de histórias e poesias e canções.
Eu e o menino Pan batendo tambores, tocando sua flauta, dedilhando poesia, masturbando-nos na cara da caretice.
Afinal, o menino de Curitiba não era um menino, ele não era um passarinho. Ele era música e era liberdade na sua essência mais pura. Cheio de sacanagem,  repleto de ternura.
Eu, menina, vivo presa em minha gaiola escura, mas, às vezes, meu Pan menino me busca para brincar. 

Angel

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