terça-feira, 7 de março de 2017

Mulher

Eu tenho um grito escrito dentro dum poema feito alma de semente que germina.
Eu trago o fardo deste gênero dentre as coxas que você teima em abrir a força.
Não me force a provar-lhe meu poder.
Carrego no ventre um universo inteiro em constante transformação
Cansei de parir em segredo. Então ouça meu grito, ele é nascimento. Nele trago a voz silenciada de todas as mulheres.
Minha voz é a voz das meninas violadas. Meu grito é o eco do grito de todas as mães órfãs de filhos mortos sem glória nas guerrilhas urbanas.
Sou a cor amarela pintada por Carolinas faveladas da fome e das miséria do mundo.
Sou o brado guerreiro de Dandaras e o sangue que lhe escorre enquanto luta por liberdade
Eu, a que arranca a mordaça de Evas e Madalenas, silenciadas por religiões que lhes fizeram crer não merecedoras. Eles lhes queimaram.
Deixo-me queimar
Deixo-me arder
E renasço.
Porque não nasci mulher, me tornei. Tomei a unha o direito de ser.
Dona absoluta do meu corpo. Liberta de preceitos e preconceitos. 
Mesmo sofrendo eu não me calo. Mesmo soFRIDA,  eu não me KALO.
A cada onze minutos minha carne é devorada. A culpa é sempre minha, mereço ser estuprada seja de burca ou de minissaia.
Arrancam o meu clitóris, é pecado o meu tesão.
A história não nos deu voz, enquanto nos bastidores fizemos o Mundo girar. A Deusa, mãe fértil de todos nós, foi encoberta com um véu e posta virgem num altar.
 Sou somente mais uma Maria , dentre tantas na multidão Meu sobrenome é poesia, o que me põe na contramão. 
Seja nas ciências, nas Artes, na Literatura ou na filosofia, sempre houve e sempre haverá uma maria

Angel

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