sexta-feira, 28 de abril de 2017

Foto

Por trás da lente vejo o mundo 
Por trás do mundo eu, mudo, observo você:
A borboleta que baila perdida entre as flores. 
Eu, lente. Foco seu voo livre. Aprisiono sua imagem, eternizo seu movimento.
Não respiro, o momento exige perfeição, entrega absoluta. 
Se eu lhe encurralar não registrarei a exuberância de suas asas, de sua alma.
Então deixo que desfile indecente entre galhos, espinhos, e jasmins.
A vida se movimenta no vácuo do seu planar.
Eu, onipresente, respiro enfim o amar

Angel.

Rosas

Sonhei que alguém me trazia flores. 
Eram rosas. Vermelhas.
Apenas três botões de rosas. Vermelhas.
A pessoa vinha quando deu um esparrão num vulto. Preto.
As flores se desfizeram no chão. Cinza.
Pétalas pingaram no caminho até mim. Sangue.

Angel

Demons

O demônio que me habita
É faminto e me devora
Rói a carne crua e 
Bebe minh' alma...
Eu, senhora do pecado
Sem hora pra perdões
Rogo, em vão o rosário,
Repito em grito o sermão.
Dai-me para comer teu corpo sacro
Que era trigo e fez-se pão.
Daí-me de  beber o vinho
Que era o teu sangue cristão.
Grunhe,  anjo caído!
Meu corpo teu abrigo
Também fez-se tua prisão.
Pois não há maior castigo
Que arrastar contigo
Um humano coração partido

Angel

Rotina

Rasguei o véu da noite
 e vi a nudez pálida dá aurora.
Beijou-me os lábios a
 velha solidão que mora comigo.
e bailamos tristes durante toda manhã
A tarde veio para o almoço
e trouxe consigo o olhos cansados
A fome de você.
Já não havia tempo para mais nada
O relógio dá sala batia as portas
Dá eternidade.

Angel

Releitura




Primeiro matavam os homossexuais.
Eu não me importei
Eu não era homossexual
 
Em seguida estupravam as mulheres
Mas eu não me importei
Eu nunca fui estuprada
 
Depois as balas perdidas mataram os favelados, mas eu não me importei com isso, porque eu não moro na periferia
 
Depois queimaram os mendigos
Mas eu tenho casa,  também não me importei .
 
Mais tarde bateram panelas, eu não bati. Mas não me importei. Com isso tiraram um presidente eleito, e eu não me manifestei.
 
Eu vi que seis famílias têm 70% de toda imprensa no Brasil, mesmo assim me achava informada vendo o Jornal Nacional. Eu vi pessoas de mídias alternativas, que expunham o outro lado da notícia,  sendo censuradas, mas eu me calei.
 
Agora, eles votaram contra os meus direitos. Mas talvez, já seja tarde. Como eu não me importei com ninguém. Como ninguém se importou com ninguém, agora eles não estão com medo.
Agora ninguém se importa comigo.
 
Releitura do Poema de Bertolt Brecht(1898-1956) por Angel Piai

terça-feira, 25 de abril de 2017

Ventre

fui arrancada ainda feto de um ventre e jogada aos lobos pra satisfazer-lhes.
filha da chuva e dos trovões, carrego a fúria do vento em meus quatro corações.
domei os lobos e, hoje, sou selvagem.
farejo a tempestade que se aproxima e me preparo, mas não espere que eu me fragmente, sou inteira
não espere que eu me esconda, 
sou verdadeira.
minha fé são estes pés ora em olímpo   ora em hades

angel

Frágil



não faça isso  comigo
sou frágil como uma lebre descarnada que vive
minha feridas são minha própria carne exposta
sei que todos me rodeiam
querem minha força,
minha luz,
a sexualidade que exalo....
mas compreendam, alguem
estuprou a menina que eu era
e eu carrego sua alma morta dentro do meu corpo
Ás vezes a morta geme , chora dentro de mim.
Tapo meus ouvidos com as mãos, mas não paro de ouvir seus lamentos dentro da minha cabeça.
Não exprema com força, não me julgue com severidade...
Eu me sinto perdida o tempo...

Angel

Tua




Quando digo que sou sua e você dúvida, perco meu rumo. 
Se lhe conto das saudades que senti e você diz que está com pressa em sair, quero pedir para que fique, mas perco as palavras.
Você é meu primeiro pensamento a cada amanhecer. Meu último pensamento, antes do adormecer.
Você me fez lembrar das preces que eu havia esquecido e trouxe a música às horas vazias.
Não vejo seus olhos, não sinto seu cheiro, mas sinto-o intensamente em mim.
E nossas almas perdidas se completam porque caminharam juntas por dezenas de existências.
Nos reencontramos, sem podermos nos encontrar. 
Eu, tão sua. Você, tão meu. Sem pertencimento , apenas sentimentos. Apenas amor.

Angel...

Faca



Há no fio dá lâmina o linear entre a vida e a morte.
Respiro o intervalo equilibrada sobre o medo.
Sou a resposta para a pergunta que ninguém nunca fez.
Sou a criança que teve a infância quebrada. Me corto com os cacos.
Mas todos os meus passos,  fui eu que caminhei. As culpas, são apenas minhas.
Agora o brilho está ofuscado pelo sangue doce da menina perdida.

Angel

Vampira



Estou em êxtase
Convulsão de gozos
Delírios com você numa madrugada febril.
A boca que percorre meu corpo inexiste. É sonho!
Atravesso a madrugada suando nos lençóis, gemendo seu nome no entreabrir dos lábios.
Você não está. Você não é. 
Eu, sua. Estremeço e sucumbo a exaustão deste desejo... 

Angel

Aranha

Teça sua teia
Envolva-me
Há em mim
Um quê de presa
Uma pressa em ser
Seu alimento
Há uma ânsia
Pelo sacramento
Pela dor, pelo fim
Eu, viscoso ser.
Inseto abominável
Parte baixa na cadeia alimentar
Eu, indigerível
Crave suas presas
No meu abdômen inchado
Sugue-me a gosma
Envenene-se
Que a nossa morte
Seja lenta e a dor
Insuportável.

Angel...

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Cama

Minha carne branca
 roçando os lençóis 
Minha Carne nua 
rolando na cama 
Sei-te rondando me na noite 
Sussurro o teu nome no vento
Aguça os ouvidos e
vem predador implacável 
nas madrugadas 
Fareja Minha Carne 
Deseja meu sangue
Possui minha alma
Tens fome de mim,
então venha selvagem
e me profana
Minha pele anseia
a tua mordida voraz.
Última chance
antes que eu corra
Faz parte da presa
tentar fugir.
Mas és caçador e 
sei que me queres
Prova do meu sangue
me faz parte de ti.

Angel...

Corvo

Mordo os pulsos
e conto o tempo:
A ave negra pousou
no ombro esquerdo
da moça louca.
Olhos vidrados e boca aberta
Moscas mortas ao chão
Ela se alimenta delas
uma a uma. ..
Com uma das mãos
enrola e arranca o cabelo.
Ela grita! GRITA...

Ninguém vê.

Veem a moça
Sentada de roupa alinhada
Cabelos dourados, bem penteados
Ela, prestativa e sorridente.

Ninguém ouve.

Angel

Menina

Menina, venha aqui
Presta atenção ao que lhe digo.
Chega de viver de sonhos tristes que caem das mesas no bar. 
Você não merece farelos ou restos...
Menina, enxuga estas lágrimas e  larga esta mania de ficar no chão.
Vem cá, segura a minha mão.
Você não está só, somos milhares. 
Irmâs da lua. Filhas de Gaia. 
Dançando nuas de corpo e alma ao redor do fogo. Onde nos queimarão, mas pouco importa, desde que dancemos na floresta.
O vento murmura nossa dor. Gememos o prazer e a agonia da Vida.
Não, menina, a vida não é um conto de fadas. 
Somos o que somos; pó de estrelas mortas. 
Todavia, menina, estas estrelas  reluzem em seus olhos tristes.
Então me abraça. Vamos caminhar com as mãos entrelaçadas até o infinito. É logo ali...

Angel...

Lâmina

Hoje quero a lâmina mais fina a traçar o seu bailado lírico sobre minha  pálida epiderme.
Que seja suave e sagrado manchando de carmin o meu leito dourado.
A dor desfilando ligeira sobre a carne, traçando retas, encurtando metas. 
Usurpar o que é sagrado. Ter os olhos selados pelo beijo maldito.
Hoje eu preciso silenciar todos os gritos dentro da minha cabeça...

Angel.

Louca

para entender-me você teria que abraçar a dor como eu abraço.
Teria que caminhar levemente na escuridão como caminho.
Teria ainda que devorar seu medo a cada amanhecer  como devoro.
Mas não deseje isso. 
Olha para mim, nada tenho a oferecer além das minhas cicatrizes. 
Bailo inconsciente e louca. Todavia absoluta.
Aflige-lhe a liberdade onde agonizo.
Não troco o milagre de ser.maldita.
Eu irrito. Eu provoco. Grito.
Me faço o abismo de  Nietzsche para você olhar.
No fundo, sou só o espelho a lhe encarar.

Angel

desafio.aceito Isabel Cabaleiro

Sangue

meu sangue que escorre
feito suor sobre a pele pálida
meu sangue, teu alimento fálico.
degenerados somos.
fora dos padrões, sem.patrões.
seguimos perdidos.
mas mais que humanos:
anjos caídos de paraísos 
decadentes.

angel

Lilith

tua deusa,
 Lilith!
caída e suja
sou a profanação
a poesia sem rima
a inspiração que
rouba teu sono
que te atormenta
Sou teu ódio gritando
sou a lágrima que te torna.humano.

angel

Dor

dor, dor que és tão forte... 
que destrói homens, mulheres e deuses.
por que me atormentas?
sou só um poeta mesquinho
que quer dar asas aos passarinhos...

angel

5 minutos

há cinco minutos eu te pertencia tão plenamente, mas por descuido ou descaso  me deixou solta.
desde então eu corro sem direção
liberta e assustada
livre e louca
perdida, mas minha

angel

Você

pensei em você
e vivi mais um dia
desenhei em minha pele
um coração vermelho-sangue
bebi a vida que fluia
fui forte, na fraqueza que me corrói.
você, mais um dia
um dia de cada vez...

angel

Frase

bom dia, poetas. 

"procurou poesia na lua. Deu de cara com a ciência nua e crua. Mesmo assim se encantou...
Pobre poeira de estrelas!"

Angel

Papo com o diabo

o cara quer comprar a minha alma. A minha alma, seu moço?
Tô vendendo não. Nem troco. Não alugo...
Minha alma é minha não é de velho barbudo, nem de anjo invejoso.
Minha alma é do Amor, da Poesia, da Dor. Do que me faz gemer, gozar, crescer...
Seu moço, não seja tinhoso. 
Meu coração é teimoso e só quer amar!
Não me sobra tempo pra negociata barata nem lorota da braba. 
Minha vida é labuta. Só ganho o suado, mas assim o valor de cada tostão é dobrado.
Um abraço apertado, seja pra deus ou o diabo .

angel.

Perséfone

fui arrancada ainda feto de um ventre e jogada aos lobos pra satisfazer-lhes.
filha da chuva e dos trovões, carrego a fúria do vento em meus quatro corações.
domei os lobos e, hoje, sou selvagem.
farejo a tempestade que se aproxima e me preparo, mas não espere que eu me fragmente, sou inteira
não espere que eu me esconda, 
sou verdadeira.
minha fé são estes pés ora em olímpo   ora em hades

angel

Dia de chuva

chuva, bendita chuva
cai sobre a poesia que veio me acordar antes do sol nascer.
Aplaca o calor solitário que estes versos gritam em minha alma.
No final da contas, depois de todos os gozos, seremos sempre e somente eu e a poesia.

angel

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Estranhez




É estranho falar
Do abstrato
De fato, te produzo concreto em meus pensamentos.
Construo-te parte de mim. Ilusão.
Você pássaro livre, voando imensidão.
Eu, nasci cativa. Conheço só a prisão.
Mas, confesso é bom ver pelas frestas teu voo, tua liberdade.
Faço de tuas as minhas asas e deliro lonjuras
Que nunca, nunca voarei.
Me faz bem ser-te...

Angel.

Guerra




Me agachei moleca atrás de uma moite de sonhos e mijei nuvenzinhas cor-de-rosa na areia chão.
De saia de chita, tranças e pés descalços corri pelo mato selvagem do meu coração.
 Lacei sem corda um negro corcel - liberdade- que montei em pêlo sem olhar para os lados. Cavalguei, Amazona que sou, encarei combates. 
Levo entre dentes uma adaga bem afiada para cortar  amarras que possam me prender.
Depois de tantas andanças desfizeram-se as tranças, a saia rasgou-se em trapos e os pés são cascos endurecidos de tanto se usar.... 
Mas meu coração agora é relva macia e orvalhada. Minha mente fronteira a ser ultrapassada. Cavalgo a liberdade que habita dentro de mim....

Angel

Pensamentos

A mãe solteira envolveram num manto de santidade. Reluz casta num altar de virgens possibilidades.
A madalena perdida envolveram de carmim, caminha vadia nas ruas e a apedrejam enfim.

Angel.

Mordo



Mordo os pulsos
e conto o tempo:
A ave negra pousou
no ombro esquerdo
da moça louca.
Olhos vidrados e boca aberta
Moscas mortas ao chão
Ela se alimenta delas
uma a uma. ..
Com uma das mãos
enrola e arranca o cabelo.
Ela grita! GRITA...

Ninguém vê.

Veem a moça
Sentada de roupa alinhada
Cabelos dourados, bem penteados
Ela, prestativa e sorridente.

Ninguém ouve.

Angel

Nina



Menina, venha aqui
Presta atenção ao que lhe digo.
Chega de viver de sonhos tristes que caem das mesas no bar. 
Você não merece farelos ou restos...
Menina, enxuga estas lágrimas e  larga esta mania de ficar no chão.
Vem cá, segura a minha mão.
Você não está só, somos milhares. 
Irmâs da lua. Filhas de Gaia. 
Dançando nuas de corpo e alma ao redor do fogo. Onde nos queimarão, mas pouco importa, desde que dancemos na floresta.
O vento murmura nossa dor. Gememos o prazer e a agonia da Vida.
Não, menina, a vida não é um conto de fadas. 
Somos o que somos; pó de estrelas mortas. 
Todavia, menina, estas estrelas  reluzem em seus olhos tristes.
Então me abraça. Vamos caminhar com as mãos entrelaçadas até o infinito. É logo ali...

Angel...

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Essencia



Eu mergulho toda noite no esquecimento.
 A escuridão mergulha em mim. 
Somos gêmeas siamesas. Nos completamos. Assustadora e perfeitamente. 
Não há espaço em meu ser onde eu não seja dor.
E gosto de estar perdida dentro de mim
Alguns anjos vieram me converter.
Pedi que saissem depressa, que trancassem a porta.
Então, os demônios entraram no vão das paredes. Mas não deixei que levassem minha alma.
Me rondam estes anjos. Me rondam demônios. 
Eu perdida que sou, mas tão consciente, grito: sou minha!
A morte ri do meu grito. Mas não vem. Sonda. Fareja e vai. Sempre volta, porém não me toca.
Enquanto fico permaneço garimpando essências. Poesia peneira. Poesia peneira. 
Vida miserável do garimpo. Vida miserável do poeta.

Angel.

Olha




Olha além do que pareço e vê o que sou. Através de todas minhas imperfeições
tenta compreender a minha busca.
Sempre serei a que está... 
Sei que carrego alguns cadáveres
Não se importe. São sonhos que morreram
E estão sepultados em meu coração.
Eles cheiram a flores recem colhidas.
Mas importa que eu sobrevivi a estas mortes.
Eis-me, guerreira!
Basta encarar meus olhos e saberá das minhas lutas. Todas intensas. Todas sangrentas.
Caminho, enquanto meus passos plantam a estrada.
Sempre fui andarilha de mim. 

Angel...

Noite




Se a noite cair que seja leve como são as folhas que caem no outono.
Se a noite cair que não seja breve, pois preciso sonhar tantos sonhos.
Que caia a noite, ausência da luz natural e prosperem postes pirilampos.
Pois que estou cansada de ver e enxergar a rotina dos dias.
Quero contar as estrelas no céu e não os calos em minhas mãos.
A noite véu a cobrir os meus olhos com seu doce manto de sedução.
Eu, noite. Eu, enluarada.
Caia a noite sobre a minha alma vadia e inunda de amores a minha poesia.

Angel.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Papa reto



Presta atenção que o papo é reto 
Um tiro direto no coração
Não venha com graça
Não faça pirraça
Não tem mais palhaça
Por isso, presta atenção
Me dei pra você
Fiz tudo o que pude
Tu deu de otário. Mané na atitude
Brincou comigo. Me fez chorar.
Chegou a hora desta mesa virar.
Não tô mais na tua.
Agora eu tô na minha.
Então sai da frente.
Larga do meu pé
Posso ate ter caido de quatro por ti
Mas já me ergui
Vagabundo nenhum 
Vai me deixar no chão.
Valho mais que isso
Sou um mulherão.
Já subi no no meu meu salto
E não tem chororô
Vou viver minha vida
Vou viver outro amor
Um beijo pra quem fica
Com dodói no cotovelo
Se encher muito o saco
Mostro o dedo do meio...

Angel..

Poeta morto



O corpo do poeta jaz inerte
Regado pelo choro ruidoso das carpideiras
Cercado por preces vazias.
Dorme o poeta morto
Enquanto eu velo teu sono
Num canto qualquer do saguão
Segurando a coroa de flores 
Disfarçando os odores da putrefação.

Dorme poeta morto
Que não mais versos fará
Ficarei aqui contigo
Até o coveiro lhe plantar
Feito semente na terra.
Mas tu não florirá.
Escondido atrás das flores
Seguro o meu punhal
Sujo com o sangue seco
Do unico golpe mortal

Dorme poeta morto
Inerte sobre a poesia
Nunca mais me chamara
De tua menina.
Nem me fará chorar
Sozinha a te esperar.

Arranquei-lhe o coração
Segurei em minhas mãos
Enquanto ainda batia
Vi a vida que se extinguia
Lambi-lhe o sangue e
Devorei-lhe inteiro.
Tinha gosto do vinho barato
Que me servia no copo
Plástico

Carregarei este segredo
Enquanto minha vida durar
Dorme  poeta morto
Que versos não mais fará.

Angel.

M




Eu mergulho toda noite no esquecimento.
 A escuridão mergulha em mim. 
Somos gêmeas siamesas. Nos completamos. Assustadora e perfeitamente. 
Não há espaço em meu ser onde eu não seja dor.
E gosto de estar perdida dentro de mim
Alguns anjos vieram me converter.
Pedi que saissem depressa, que trancassem a porta.
Então, os demônios entraram no vão das paredes. Mas não deixei que levassem minha alma.
Me rondam estes anjos. Me rondam demônios. 
Eu perdida que sou, mas tão consciente, grito: sou minha!
A morte ri do meu grito. Mas não vem. Sonda. Fareja e vai. Sempre volta, porém não me toca.
Enquanto fico permaneço garimpando essências. Poesia peneira. Poesia peneira. 
Vida miserável do garimpo. Vida miserável do poeta.

Angel.