terça-feira, 4 de abril de 2017

Poeta morto



O corpo do poeta jaz inerte
Regado pelo choro ruidoso das carpideiras
Cercado por preces vazias.
Dorme o poeta morto
Enquanto eu velo teu sono
Num canto qualquer do saguão
Segurando a coroa de flores 
Disfarçando os odores da putrefação.

Dorme poeta morto
Que não mais versos fará
Ficarei aqui contigo
Até o coveiro lhe plantar
Feito semente na terra.
Mas tu não florirá.
Escondido atrás das flores
Seguro o meu punhal
Sujo com o sangue seco
Do unico golpe mortal

Dorme poeta morto
Inerte sobre a poesia
Nunca mais me chamara
De tua menina.
Nem me fará chorar
Sozinha a te esperar.

Arranquei-lhe o coração
Segurei em minhas mãos
Enquanto ainda batia
Vi a vida que se extinguia
Lambi-lhe o sangue e
Devorei-lhe inteiro.
Tinha gosto do vinho barato
Que me servia no copo
Plástico

Carregarei este segredo
Enquanto minha vida durar
Dorme  poeta morto
Que versos não mais fará.

Angel.

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