sexta-feira, 19 de maio de 2017

amamos

Me deitava na escuridão da alma, ainda menina.
E ouvia galopes de sonhos, sem adormecer.
Sabia que era você.
Sempre rondou-me a alma, fez morada em meus pensamentos.
O tempo chicoteava- me feroz, mas nunca você chegava. Vinha seu gosto. Vinha seu cheiro.
Eu, vinho. Lhe esperava com duas taças cheias.
Virou vinagre e azedou-me, busquei-lhe em outros amores. Vãos.
Vãos nas paredes dos quartos de motéis baratos. Por onde eu lhe espiava em delírios enquanto gozava o não prazer de relações vazias.
Até que navegando, sem rosto ou nome, somente poesia você me reconhecia. E veio a mim num barco a remos. Remamos contra marés de estranhezas.
Mesmo assim não nos alcançamos. Afogamos-nos seduzidos por sereias e tritões; tivemos o coração destroçado por tubarões.
Amamos, mas permanecemos a solidão um do outro. 


Angel.

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