sexta-feira, 19 de maio de 2017

Cale-se, poeta!

Cale-se, poeta!
Dirija-se aos porões...
Caminhe pelos becos e vielas.
Ninguém quer ler seus longos poemas.
O mundo hoje é feito de flores de uma só pétala. Desfolhe-se.
Ah, e -por favor- tire estes espinhos dos seus versos.

 Não temos tempo para sangrar uma lágrima se quer.
Somos constituídos de certo grau de narcisismo 

e temos acesso a muita informação, 
portanto nos consideramos aptos a tudo.
Porém tudo é urgente. 

Somos alheios a introspecção, a contemplação e as Artes.
Então, poeta, desvie o olhar de nossa passividade idiocrática, t

emos vergonha de expor nossa mudez autoritária.
No entanto, criamos remédios que podem anestesiar seus sentidos. 

Deixá-lo como nós, seres normais.
 Basta conseguir uma receita médica atestando sua inconformidade.
No mais, poeta, solicitamos que evite nossas editoras.

 Temos muitos livros de auto ajuda a imprimir e precisamos enriquecer seus autores.
Sendo só, no presente momento, nos despedimos, 

desejando mais que você é sua poesia se fodam
Atenciosamente
Pessoas Normais.

Angel
C

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