domingo, 7 de maio de 2017

Durona


Quando olho no armário e não vejo as roupas do meu homem penduradas.
 Não choro.Mudo o tom de voz para grave, o olhar endureço, peço-lhe as chaves e aponto para a rua. 
Antes que diga que vai partir parto ao meio este troço que chamam de amor.
A porta da rua é a serventia da casa. Dá no pé, cria asa. E saia daqui, não esqueça de bater o portão.
É assim que ouço a batida caio abatida no chão...
Me rasgo, me corto, me descabelado, bebo veneno e quebro o espelho.
Eu sofro escondida. Na rua, bandida: batom vermelho, vestido colado, salto afinado.
E só pra não lhe dar o gostinho passo sorrindo e lhe aceno com a mão.

Angel.

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