sexta-feira, 19 de maio de 2017

Evoés

Evoés, poetas. Eu brindo...
a sutileza da beleza do simples de Manoel;
a nobreza de Drummond
aos suspiros doces de Cecilia
aos que passarinhos em Quintana
a melancolia suicida de Woolf
a ousadia salmoura de Hilst
ao escárnio profético de Buck
a riqueza polipoética de Pessoa
a enxada cavando versos em áridos Corações do Patativa
a putaria apaixonada e delirante de Vinicius musicada por Jobim e cantada por Chico
a versada ousadia de Florbela a espancar a esperança
as palavras romantizando o sexo em Neruda
Aos vermes que nos devoram de Anjos enquanto os Corvos de Poe - absortos absolutos, nos espreitam a carne podre.
Faço uma bacanal na esquina regado de poetas fumando versos, bebendo poesias. Num brinde a Musa erguem a taça Mikaela, diva dos versos gritantes entre Barphomeu e Afrodite, com a heteronímia estética de Caballero e a sedução requintada de Giar.
Feito ninfas incendiárias, nuas, cruas, perdigueiras, dançam em volta da fogueira; Baunilha, Valéria e Luciana.
Num canto próximo, não calados, estão anjos do subúrbio, instrumentados. Góes urbano, caótico, desprovido do pecado do não ser. Alexandre, verso-sangue, verso-bala, poesia- facada. E Rua poesia e prosa sobrevivente das guerras da vida. Naldo e Erick misteriosos, sedutores doces e arredios.
Noutro canto observo calada as não bem comportadas. Líria Porto e Lázara poetas politizadas armando alguma parada com a misteriosa Rubilar.
Carregando tochas e gritando louvores a baco vem Moraes, louco sensato. Elizário versado generoso a espalhar sua simpatia aos pares poéticos. Jordão, Raul e Manoel rindo ricos em ironia e sarcasmos textualizando contemporaneidade líricas.
No culto fértil à poesia as Musas reverenciadas extasiam e seduzem os poetas, cada vez mais se achegam num vinculo virtual em prol a arte, profanando a mesmice, estuprando a moralidade hipócrita. Eis, os poetas do hoje. Evoenos, grita Góes! Evoemos, brindamos nós!


Angel

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