sexta-feira, 19 de maio de 2017

faca

Se você cortar minhas asas
Se você cortar, vou sangrar.
Minhas asas são feitas de carne crua e cheia de veias .
Se você tolher minha liberdade
Se me tolher, eu vou sangrar
Minha liberdade é cheia de vísceras
e defeca atrás da moita.
Uivo nas noites de luas cheias e persigo ilusões como os cães perseguem rodas de carros.
Ainda tenho marca da corrente no pescoço, mas fugi. Minha alma nunca foi domesticada..
Se você me cortar eu sangro. Mas se não o fizer, eu mesma farei porque é muito tarde para se falar de amor.
Falemos da rima, inexata, gravada pelo fio da navalha.
"Sempre é tarde" estava escrito em minha coleira. Na coleira que rompi na força de um grito agudo, mudo e sobretudo ensurdecedor.

Angel

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