sexta-feira, 19 de maio de 2017

Noite

Anoitece na alma menina que há pouco corria traquina .
Perdem-se seus versos como o dia perde a luz.
E ela, ser mutante, caminha, ainda descalça.
Suas tranças se desfazem com a ventania que chega.
Furações devoradores de corações de meninas.
Mas ela segue. Teme, mas vai. Treme, mas vai.
Há pedras no meio do caminho.
Há lobos e caçadores.
Esperanças? Estas não se acham. Todas perdidas.
Pés que sangram viram asas.
Mãos que escrevem viram asas.
E voam poesia.
Escurece na alma da menina e ela se perde na escuridão.
Ninguém gosta das meninas perdidas.
Ninguém liga para as garotas que se prostituem poesia em troca de versos.
Preces confusas sobre liberdade são murmuradas nos delírios febris da madrugada,

 mas Deus não ouve os poetas.
Desce a Musa, feito anjo, feito luz e sussurra.
A menina febrilmente rabisca mediúnica.
Só assim, amanhece.


Angel.

Nenhum comentário: