domingo, 8 de janeiro de 2017

Me toma



Não quero que chegue de leve.
Não aceito beijos tímidos.
Preciso que me pegue de jeito e sem cuidados,
que me jogue na cama esfomeado.
Que me coma faminto lambuzando os lábios.
Quero que entre por todos o vãos sem pedir licença.
Arrombe as portas trancadas, me torne sua vadia privada.
Me tome como quem toma posse de um país pela guerra.
Enfie o mastro de tua bandeira sem castos pudores.
Me lamba, me beije, mastigue-me inteira. Não peça, ordene.


Angel


Stigmata


Dores me atormentam o físico
E purificam a minha alma
sucumbo as chamas de meu flagelo
Renasço fênix de minhas cinzas

Em minhas mãos desabrocham
Estigmas como rosas carmim
Meus cabelos caem como 
Neve no inverno de minha alma

Todos me olham, mas
ninguém me vê sangrar
Minha alma exala no ar
essencia alecrim recem colhido

Estou em transformação
Morrendo em mim
Renascendo em mim

Um parto sujo e dolorido 
Nunca Eva do paraíso decadente
A poesia me rasgou ao meio
Dilacerou minhas entranhas

Não sou a mesma
Sou um ser mutante
Que agoniza vida
A purificada pela dor
A regurgitada pelos anjos
A poeta.

Angel.