segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Minha



Enquanto você dorme escrevo-lhe estas linhas.
Nos conhecemos há muitas vidas ontem nos reencontramos.  Nossas almas se reconheceram assim que nos olhamos. Nossos corpos se desejaram assim que nos aproximamos.
Falamos de coisas bobas e rimos de coisas sérias. Tudo foi poesia regada a vinhos.
Arrastamo-nos pela brisa suave da madrugada para este quarto. Seu quarto. E fizemos amor com a intensidade de que só as almas gêmeas são capazes.
Você adormeceu, mas eu não consegui. Fiquei olhando para você nua, com gotículas brilhantes de suor sobre a pele alva.
Como lhe desejo. Como lhe amo.
Mas o que não me deixou dormir não é o amor que sinto, é a consciencia do adeus.
Sei que partirei agora e nunca mais nos veremos. Eu tenho minha vida e estou dilacerado de dor.
Adeus, poetisa. Não chore por mim, por favor. Não quero ser sua lágrima. Me torne sua poesia.
Eternamente teu cavalheiro embora seja seu vagabundo...

Angel

A que fica

Sempre serei a que fica depois que todos foram embora.
A que te espera e segura tua mão do lado de fora quando a festa acaba e todos os convidados se vão.
Sempre serei eu a ler teus pensamentos e transformar teus sonhos em realidade.
Estarei a tua sombra exaltando tua luz.
Sim, sou tua menina. Sou tua mulher. Frágil e forte.
Tua e ausente.

Angel


Sexo

Vamos falar sobre sexo?
Sexo... sobre sexo.
Biologicamente? Geneticamente?
Sexo em geral?
Sobre nós fazendo sexo?
Não seria melhor talvez abrirmos esta garrafa de vinho e nos servirmos de umas taças?
Nos embebedar olhando nos olhos um do outro?
Depois nos beijarmos enquanto nos despimos.
Ávidos e desastrados em busca de uma cama e, na falta dela, cairmos no chão?
Não seria infinitamente melhor nos amarmos, nos fodermos intensamente?
Enquanto falamos de sexo...!!??


Frases

Nunca mais poderás pertencer a outro. Não estas presas, mas és minha.
Roubei teu corpo, alma e coração enquanto estavas distraída.

Angel

Manoel de Barros



Não farei versos torpes sobre teus lábios
que hora são doces hora salgados 
Não farei versos sobre teu olhar
Lânguido e perdido na imensidão do verde oceano de tua alma
Não haverá poesia sobre tua alma selvagem e doce como a brisa primaveril

Meus versos serão sobre esta joaninha que trafega vagabundamente sobre as folhas deste lírio que te vi plantar com suas mãos meigas em uma tarde de outono enquanto falávamos da delicadeza de Manoel de Barros.

Angel.