terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Desabafo

Deixa as palavras flutuarem confusas diante de sua mente cansada.
Há o êxtase, a euforia e a exaustão, então a criação.
A poesia é minha heroína. Direto na veia. Direto na mente!
Ressuscito o grunge poético,
O verso dos becos,
O grito dos excluídos.
Olha, há lixo por toda cidade.
Há ratos no congresso
Carnificina nos vilarejos
Abutres fardados comendo carne podre
Há raposas farejando por todo canto
Não me peçam que fale sobre o amor enquanto me enrabam
Finjo-me de morta com estas flores nas mãos, mas espremo os espinhos entre os dedos. Quero que furem, quero que sangrem, quero me manter acordada. Estou observando a tudo.
Não há glória em ser poeta. Todos  somos sujos.
Sem mergulhar no esgoto não há poesia. Pelo menos não uma que preste.
Auto ajuda é uma porra de merda que me faz vomitar
A verdade é que todos os homens que me escreveram para ser mais doce em meus versos, foderam comigo dias depois. Adoro hastear minha bandeira em seus mastros eretos de hipocrisia.
E, adoro fazer textos longos que poucos leem. Porque são profanos, mas são sagrados e não merecem estar diante de certos olhares.
Todos os dias uma Mia é violada e morta na poesia. Os caras fingem não ver. Bem sei. Tenho lidado com esta merda a vida toda. É muito difícil ser mulher e mexer com arte ao invés de cozinhar.
Eu tive que pensar cedo em preto e branco. Nunca foi rosa. Nunca houveram pôneis , nem purpurina. A vida veio seca e só descia goela abaixo quando eu roubava conhaque do meu  pai e matava aula para beber com os roqueiros  em construções abandonadas, descia quando eu abria um livro escondido debaixo da carteira enquanto a professora dizia que a trigonometria mudaria nossas vidas.
E eu tomei muita porrada na cara (literalmente) para me fazer forte. Aprendi a levantar de olho roxo e encarar a vida.
Então, não me peçam a porra de versos doces, enquanto eu tomo socos no estômago. Faço poesia enquanto mal respiro. E não me interessa se  não é bonita, se não é agradável, se não é poesia para você.  Para mim, é: grito, arte, porrada!
“Sou um fingidor. Finjo tão completamente, que chego a fingir que sou dor. A dor que deverás sinto... ”
Os necrófagos me rodam, mas quantos mais pedaços eles me arrancam  mais me reciclo.
A borboleta nunca deixa de ser lagarta por dentro ou lagarta sempre foi borboleta?
Borboletar. Borboletar. Borboletear. Bodelainear ...  nem a borboleta sabe. Nem a lagarta quer saber...

Angel Piai