sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Morte da poesia



Qual faca há que de tão afiada possa cortar ao meio minha dor?
Reparti-la de forma a minimizá-la.?
Que não corte a dor, mas corte o pulso ao menos?
Foca a faca na veia e faça a fina marca.
Foque no fio de sangue que escorre.
Fixe na dor que faz doer menos teu peito. Escorre poesia junto com sangue. 
Livre-se da maldição da poesia que te fez maldita.

Morra, poeta. Morra!

Angel.

Messenger



Agora que tudo é adeus
sinto não ter guardado
nossas primeiras conversas
emolduradas na parede do quarto.

Angel.

Florir



Minhas mãos bailam borboleta
Por flores dos teus jardins
Duas meninas faceiras
Colhendo lírio e jasmim
Parte uma da outra
Com boca de beija-flor
Sugando o nosso néctar
Pousando de dor em dor
A boca solvendo o mel
de lábios ocultos,
Sugando leite inexistente
De dois pares de seios 
Imperfeitos
O prazer absoluto
De natureza tocante
Aranhas tecendo teias
Em noites provocantes
A perfeição do extâse
A delicadeza do gozo
Irmãs, filhas da Deusa
Amigas da Terra e do Ar
Amantes, a arder na fogueira
corpos lenha para queimar
Meninas correndo lobas
Uivando em frenesi
Parindo do próprio ventre
A Deusa que habita em si.

Angel.

Culto

Teu corpo templo, o meu adoração.
Nossas bocas oração uníssona do prazer.
De cor recitamos o mantra que sagra nossa carne. 
E glorificamos a fornicação bendita que nos faz santos..

  • Angel.