quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Ange Piai e Cazé Rodrix

Sem melodia
Letra: Angel Piai/  música: Cazé Rodrix

Tanta coisa acontece 
em meu interior 
a cidade anoitece 
permanece o calor. 
Há magia no ar 
folhas verdes no chão 
recomeço a cantar 
outro velho refrão. 
Para falar de alegria 
de uma doce paixão 
que pulou na folia 
e virou um só coração. 
Se me abraça a agonia 
procuro a solidão 
e na noite vazia 
reescrevo a canção. 
Ao mudar a melodia 
reconheço no tom 
o toque da nostalgia 
que vem do coração. 
Deixo que chore a alma 
ao som do cavaquinho 
o meu cantar não é pobre 
é o sonhar de um menino. 
Traquinagens e birras 
gargalhadas e cantigas 
essas são minha sinas 
por viver amando a toa. 
Há quem chore por mim 
(este há de morrer de dor 
ao perceber que de mim 
só se recebe calor). 
Se há marcas no corpo 
destas antigas paixões 
tento fugir do sufoco 
trazendo poemas nas mãos. 
E quem ouvir meus soluços 
e tropeçar no meu nó 
há de abrir-me os braços 
e enlaçar-me sem dó.

Pescado




Sou um pescador de sereias do além'ar
Sou um pescador de sonhos, deixo-me levar...
Um poeta louco, cheio de ilusão.
Fiz o meu barquinho  num papel de pão
E nele eu navego por tantos destinos. E nele carrego os meus desatinos.
Barcos são poesias que sabem nadar.
O que meus lábios não falam, eu vou lhe contar:
já pesquei estrelas
Já fisguei a lua
já teci poemas
tarrafei  canções...

Minhas mãos tem calos
Meus pés esporões
No peito cicatrizes
Minha alma paixões

Eu sou pescador de palavras
Eu sou pescador do sentir
Homem simples com a marca do porvir
Trago oferendas a Iemanjá
Jogo minha rede, esse é o meu orar.

Rabisco meus versos
Na areia do mar
Que é para as ondas
Os poder levar
Não quero se eterno
Quero é mergulhar
De cabeça neste tal e amar.

Angel Piai.