segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Shiuuuu

Eu bailei anonima nos teus sonhos
E surgi oculta em teus versos
Fiz valsa secreta nas tuas canções....
Mas meu nome (segredo) era o qual sangrava em  teu coração....

Angel.

Deixa-me


Deixa-me ser a que caminha sozinha
De olhar firme e mãos tremulas
Deixa-me ser a que não sabe cantar e nem dançar, mas ainda assim, aquela que mais ama a música.
Eu tenho todos estes barulhos na minha cabeça, mas não sou esquizofrênica. Sou pior, sou poeta.
Vocês me emolduram. Querem me por numa parede mal pintada... Eu não caibo.  Nunca vou caber...
Deixem-me seguir equilibrando-me na corda. Eu a estirei. Eu a colocarei em torno do meu pescoço quando chegar a hora.

Angel

Eu



Ás vezes girassol
Exuberante
Sol com raiz
Coração semente.

Outras margarida
Delicada e frágil
Sem cheiro ou cor
Alma pura

Ás vezes, sem raízes
Um leve colibri 
Ágil, astuto
Planando entre jardins

Outras, com asas, 
Mas corvo
Introspecta e sepulcral
Pousada em umbrais

Mas sempre eu
Metamorfa.

Angel.

Sobre Cazé



Eu conheci um menino que andava nu pelas ruas de Curitiba 
Ele trazia apenas um violão debaixo do braço e toda a liberdade sob seus pés
Eu conheci um menino com um sorriso lindo e o olhar brilhante de quem sabe gozar a vida.
Eu vi o menino tocando violão e cantando. Seus seus olhos eram os olhos da Liberdade 
E seus braços não eram braços eram asas.
Eu vi o menino de Curitiba alçando voo e seu voo era pleno.
De repente ele não era menino ele era passarinho. Passarinho sem ninho, sem galho para pousar. Passarinho Pura Liberdade voando na imensidão do céu
E voando ele ultrapassou várias barreiras a do som, a da luz, a dos tabus.
E o menino ligeiro fugia de todas as arapucas da hipocrisia e de todos os alçapões da falsa moralidade.
E, às vezes, eu tinha sorte do menino me chamar de madrugada para brincar entre as estrelas. Nós dois éramos cometas ultrapassando todos os limites astrais intelectuais e sexuais.
Era eu e o menino de mãos dadas balançando pela rede.
Era eu e o menino trocando de histórias e poesias e canções.
Eu e o menino Pan batendo tambores, tocando sua flauta, dedilhando poesia, masturbando-nos na cara da caretice.
Afinal, o menino de Curitiba não era um menino, ele não era um passarinho. Ele era música e era liberdade na sua essência mais pura. Cheio de sacanagem,  repleto de ternura.
Eu, menina, vivo presa em minha gaiola escura, mas, às vezes, meu Pan menino me busca para brincar. 

Angel