terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Riscos

Estou distante de tudo
Me isolei aqui
Rasgo-me e reviro-me 
Sou avessos
Rabisco chaves
Em minha pele
Pra minha alma fugir
Cuspo vermes 
Enquanto falo
Porque já morri

Angel

Moscas

Vejo varejeiras
Poedeiras 
de larvas canibais
Voam incansáveis
Rodeiam
Querem um lugar quente
Querem um bom lugar
Pousam e ali
Desovam a morte

Há varejeiras
Por toda parte
Elas devoraram o cérebro do meu irmão.
Destroçaram nossa alegria...
Destruiriam minha infância...
As varejeiras.

Angel.

Soul poético

Queria fazer da poesia
Um blues
Um lamento musicalizado
Um chorinho, talvez.

A vida borboleta breve
Bate as asas leves
Ao ouvir-me nu.
Valsando no pandeiro das saudades

Passos trôpegos de felicidade
E olhos embaçados de amor.
Que venha a quarta-feira
Pago caro o custo desta vida
E não há SUS que cure minha ferida

Então fiz da poesia meu rock n'roll
Meus versos estridentes sons da guitarra
Não são pra qualquer um.

Desloquei meu pescoço num poema torto
E quase morto, sobrevivi
A morte dos cisnes e aos gritos da ópera
Pois sou malandra na forma e swing
E tanto me punham no ringue que eu aprendi a lutar.

Angel.