quinta-feira, 30 de março de 2017

Em Freud

Havia no inconsciente algo escondido
Manifestando-se em sonhos terríveis
Eu, menina nunca ouvida, levei a dor
Aquela dor grande escondida de mim.
Nos pesadelos ela virava um monstro
me tocando sem permissão...
E eu acordava chorando, coçando...
"É só um sonho", diziam
Sem amor próprio e permissiva
Entreguei-me a monstros reais
seus carinhos fugazes me afastaram
dos pesadelos...
Com o tempo os pesadelos sumiram
mas a dor do que sou não sara...
Ainda não lembro, embora suspeite.
Eu não sei, porem me condeno.
E condenada, eu me puno.
Me puno todos os dias.... Nunca será
o bastante.

Menina



Invento desculpas para te amar depois de tudo.
Invento motivos para ainda ser tua menina.
Me faz juras finjo que acredito. Entrego-me...
Sei que são mentiras. Mas me alimento delas.
Há mais em nossa historia do que uns versos.
Há uma dor que mereço sentir e tu a causa.
Causa e efeito. Verbo e sujeito.
Deixo-me ser ainda tua. Uma vez mais.
Uma última vez, me prometo. 
Mas no fundo eu sei, será só me chamar. 
Sempre direi sim. 

Angel

Ansiedade

Preciso tentar escrever sobre este momento, sobre esta sensação horrível. Não sei se terei  coerência ou coesão. 
Queria apenas transportar em palavras você leitor ao meu caos. Não por maldade.
Preciso que alguém compreenda esta culpa que cai sobre me mim como se um saco fosse colocado sobre minha cabeça impedindo-me de respirar.
Mãos invisíveis me espremem as víceras...
Angústia. Angústia. Angústia.
Quero gritar. Sou um grito.
 Entalada. Engasgada...
Sou medo. Pavor...
Odeio

Angel.

Lobo



Ouve o que não digo, lobo. 
Ouve meu sussurro perdido na  floresta densa. 
Sei-te alerta. 
Em estado de caça. 
Confesso-me orgulhosa do meu predador.
Mas não esteja triste, lobo, que nossos corações batem num só ritmo. 
E tua dor é minha. 
Deixa-me acarinhar-te o pelo.
 Deitar-me contigo na relva. 
Perdoa-me, lobo....

Angel com Celso Roberto Nadilo