sexta-feira, 31 de março de 2017

Bolero

Danço o bolero de Ravel
Com chinelos que comprei no camelô
Borderlineio a dor do abandono...
Borboleteio sem asas no ar. 

Não sou um transtorno,
Só porque transbordo.



Satélite

Amo a noite
cheiros e sons
luzes artificiais
 ar levemente frio
as pessoas quietas

Eu acesa
Alerta

Branca lua nua sob a coberta 
Bordada de estrelas
Espio o preto
 Esparramo-me no céu....

Estrelas são cadáveres que brilham...
Eu não tenho luz
Sou reflexo de um astro  ausente.

Há a mística do amor no meu turno
Soturno, noturno
Rotulam-me
Fico cheia e a míngua.
São só fases.

Minha face cavalgada:
Apeia Jorge,  no coração de dragão!
Um crime santo. 

Angel.