terça-feira, 4 de abril de 2017

Papa reto



Presta atenção que o papo é reto 
Um tiro direto no coração
Não venha com graça
Não faça pirraça
Não tem mais palhaça
Por isso, presta atenção
Me dei pra você
Fiz tudo o que pude
Tu deu de otário. Mané na atitude
Brincou comigo. Me fez chorar.
Chegou a hora desta mesa virar.
Não tô mais na tua.
Agora eu tô na minha.
Então sai da frente.
Larga do meu pé
Posso ate ter caido de quatro por ti
Mas já me ergui
Vagabundo nenhum 
Vai me deixar no chão.
Valho mais que isso
Sou um mulherão.
Já subi no no meu meu salto
E não tem chororô
Vou viver minha vida
Vou viver outro amor
Um beijo pra quem fica
Com dodói no cotovelo
Se encher muito o saco
Mostro o dedo do meio...

Angel..

Poeta morto



O corpo do poeta jaz inerte
Regado pelo choro ruidoso das carpideiras
Cercado por preces vazias.
Dorme o poeta morto
Enquanto eu velo teu sono
Num canto qualquer do saguão
Segurando a coroa de flores 
Disfarçando os odores da putrefação.

Dorme poeta morto
Que não mais versos fará
Ficarei aqui contigo
Até o coveiro lhe plantar
Feito semente na terra.
Mas tu não florirá.
Escondido atrás das flores
Seguro o meu punhal
Sujo com o sangue seco
Do unico golpe mortal

Dorme poeta morto
Inerte sobre a poesia
Nunca mais me chamara
De tua menina.
Nem me fará chorar
Sozinha a te esperar.

Arranquei-lhe o coração
Segurei em minhas mãos
Enquanto ainda batia
Vi a vida que se extinguia
Lambi-lhe o sangue e
Devorei-lhe inteiro.
Tinha gosto do vinho barato
Que me servia no copo
Plástico

Carregarei este segredo
Enquanto minha vida durar
Dorme  poeta morto
Que versos não mais fará.

Angel.

M




Eu mergulho toda noite no esquecimento.
 A escuridão mergulha em mim. 
Somos gêmeas siamesas. Nos completamos. Assustadora e perfeitamente. 
Não há espaço em meu ser onde eu não seja dor.
E gosto de estar perdida dentro de mim
Alguns anjos vieram me converter.
Pedi que saissem depressa, que trancassem a porta.
Então, os demônios entraram no vão das paredes. Mas não deixei que levassem minha alma.
Me rondam estes anjos. Me rondam demônios. 
Eu perdida que sou, mas tão consciente, grito: sou minha!
A morte ri do meu grito. Mas não vem. Sonda. Fareja e vai. Sempre volta, porém não me toca.
Enquanto fico permaneço garimpando essências. Poesia peneira. Poesia peneira. 
Vida miserável do garimpo. Vida miserável do poeta.

Angel.