quinta-feira, 6 de abril de 2017

Essencia



Eu mergulho toda noite no esquecimento.
 A escuridão mergulha em mim. 
Somos gêmeas siamesas. Nos completamos. Assustadora e perfeitamente. 
Não há espaço em meu ser onde eu não seja dor.
E gosto de estar perdida dentro de mim
Alguns anjos vieram me converter.
Pedi que saissem depressa, que trancassem a porta.
Então, os demônios entraram no vão das paredes. Mas não deixei que levassem minha alma.
Me rondam estes anjos. Me rondam demônios. 
Eu perdida que sou, mas tão consciente, grito: sou minha!
A morte ri do meu grito. Mas não vem. Sonda. Fareja e vai. Sempre volta, porém não me toca.
Enquanto fico permaneço garimpando essências. Poesia peneira. Poesia peneira. 
Vida miserável do garimpo. Vida miserável do poeta.

Angel.

Olha




Olha além do que pareço e vê o que sou. Através de todas minhas imperfeições
tenta compreender a minha busca.
Sempre serei a que está... 
Sei que carrego alguns cadáveres
Não se importe. São sonhos que morreram
E estão sepultados em meu coração.
Eles cheiram a flores recem colhidas.
Mas importa que eu sobrevivi a estas mortes.
Eis-me, guerreira!
Basta encarar meus olhos e saberá das minhas lutas. Todas intensas. Todas sangrentas.
Caminho, enquanto meus passos plantam a estrada.
Sempre fui andarilha de mim. 

Angel...

Noite




Se a noite cair que seja leve como são as folhas que caem no outono.
Se a noite cair que não seja breve, pois preciso sonhar tantos sonhos.
Que caia a noite, ausência da luz natural e prosperem postes pirilampos.
Pois que estou cansada de ver e enxergar a rotina dos dias.
Quero contar as estrelas no céu e não os calos em minhas mãos.
A noite véu a cobrir os meus olhos com seu doce manto de sedução.
Eu, noite. Eu, enluarada.
Caia a noite sobre a minha alma vadia e inunda de amores a minha poesia.

Angel.