quarta-feira, 12 de abril de 2017

Estranhez




É estranho falar
Do abstrato
De fato, te produzo concreto em meus pensamentos.
Construo-te parte de mim. Ilusão.
Você pássaro livre, voando imensidão.
Eu, nasci cativa. Conheço só a prisão.
Mas, confesso é bom ver pelas frestas teu voo, tua liberdade.
Faço de tuas as minhas asas e deliro lonjuras
Que nunca, nunca voarei.
Me faz bem ser-te...

Angel.

Guerra




Me agachei moleca atrás de uma moite de sonhos e mijei nuvenzinhas cor-de-rosa na areia chão.
De saia de chita, tranças e pés descalços corri pelo mato selvagem do meu coração.
 Lacei sem corda um negro corcel - liberdade- que montei em pêlo sem olhar para os lados. Cavalguei, Amazona que sou, encarei combates. 
Levo entre dentes uma adaga bem afiada para cortar  amarras que possam me prender.
Depois de tantas andanças desfizeram-se as tranças, a saia rasgou-se em trapos e os pés são cascos endurecidos de tanto se usar.... 
Mas meu coração agora é relva macia e orvalhada. Minha mente fronteira a ser ultrapassada. Cavalgo a liberdade que habita dentro de mim....

Angel

Pensamentos

A mãe solteira envolveram num manto de santidade. Reluz casta num altar de virgens possibilidades.
A madalena perdida envolveram de carmim, caminha vadia nas ruas e a apedrejam enfim.

Angel.

Mordo



Mordo os pulsos
e conto o tempo:
A ave negra pousou
no ombro esquerdo
da moça louca.
Olhos vidrados e boca aberta
Moscas mortas ao chão
Ela se alimenta delas
uma a uma. ..
Com uma das mãos
enrola e arranca o cabelo.
Ela grita! GRITA...

Ninguém vê.

Veem a moça
Sentada de roupa alinhada
Cabelos dourados, bem penteados
Ela, prestativa e sorridente.

Ninguém ouve.

Angel

Nina



Menina, venha aqui
Presta atenção ao que lhe digo.
Chega de viver de sonhos tristes que caem das mesas no bar. 
Você não merece farelos ou restos...
Menina, enxuga estas lágrimas e  larga esta mania de ficar no chão.
Vem cá, segura a minha mão.
Você não está só, somos milhares. 
Irmâs da lua. Filhas de Gaia. 
Dançando nuas de corpo e alma ao redor do fogo. Onde nos queimarão, mas pouco importa, desde que dancemos na floresta.
O vento murmura nossa dor. Gememos o prazer e a agonia da Vida.
Não, menina, a vida não é um conto de fadas. 
Somos o que somos; pó de estrelas mortas. 
Todavia, menina, estas estrelas  reluzem em seus olhos tristes.
Então me abraça. Vamos caminhar com as mãos entrelaçadas até o infinito. É logo ali...

Angel...